O Vaticano tratou o documento, entregue a todos os participantes, como “diretrizes”. O papa diz querer mudar a mentalidade dos bispos em quatro dias de debates, discursos, reuniões intercaladas com orações, mas sobretudo por meio dos depoimentos comoventes de vítimas de abusos sexuais. “Escutemos o grito das crianças que pedem justiça”, disse o papa, ao convidar patriarcas, cardeais, arcebispos, bispos e superiores religiosos a encarar a “praga dos abusos sexuais” cometidos por membros da Igreja. “Iniciemos nosso percurso armados de fé (.. ), de coragem e de concretização”, disse ele.
No evento, o arcebispo Charles Scicluna, de Malta, principal investigador de abusos sexuais do Vaticano, disse que a Igreja tem de analisar até como padres e bispos são escolhidos – uma das revisões propostas nesta quinta por Francisco. “A questão da verificação futura de candidatos ao sacerdócio é fundamental”, disse Scicluna, em um discurso centrado em detalhes legais sobre como os bispos têm de colaborar com as autoridades civis, adotando uma “cultura de divulgação” para a sociedade saber que “se fala sério”.
Na sequência, justamente ao lado do papa, o cardeal colombiano d Rubén Salazar afirmou ser “injustificável” não denunciar ou ocultar os casos de abusos sexuais na Igreja. Segundo ele, “o inimigo está dentro”.
“Não há nenhuma justificativa possível para não denunciar, para não desmascarar, para não enfrentar com valor e contundência qualquer abuso”, continuou o arcebispo de Bogotá. “Temos de reconhecer esta crise em profundidade, reconhecer que o dano não vem dos que estão fora, mas os primeiros inimigos estão dentro da Igreja, entre bispos, sacerdotes e consagrados que não têm estado à altura de nossa vocação.”
Diretrizes
Os pontos de reflexão levantados pelo papa atingem vários elementos da discussão sobre abusos, como a relação entre religiosos. Para muitos, a “cultura” de acobertamento e de não enfrentamento dos casos passa pelo fato, notadamente entre sacerdotes e bispos, que o convívio lembra muito a relação entre pais e filhos – o que dificulta punições e leva até a transferências.
Na lista de diretrizes do pontífice, solicitam-se normas claras para essas transferências, além de se pedir regras claras para investigação de denúncias, com ampliação da participação dos leigos e a devida publicidade. Há também sugestões para a mudança no Código Canônico, só permitindo casamentos a partir dos 16 anos. (Com agências internacionais).
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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