Marília

Paleontólogo de Marília acha ninhada de dinossauro

Nava mostra ovos de dino terópode, conforme descobertos em agosto 2021 (Foto: Divulgação)

O paleontólogo e coordenador do Museu de Paleontologia de Marília, William Nava, divulgou nesta semana mais uma importante descoberta de suas escavações: uma ninhada de ovos de dinossauro terópode encontrada em Presidente Prudente (distante 179 quilômetros de Marília).

O material fossilizado é do período Cretáceo Superior e tem entre 60 milhões e 80 milhões de anos. Pelo tamanho e pelo formato dos ovos dá para estimar que era uma espécie de dinossauro carnívora de pequeno porte, conforme o paleontólogo.

A primeira ocorrência de ovos fossilizados encontrados no sítio paleontológico do Parque dos Girassóis, em Presidente Prudente, aconteceu em 2020, e eram ovos de crocodilos. Já os ovos encontrados em 2021 não são associados a crocodilomorfos, mas sim a alguma espécie de dinossauro terópode, ou seja, carnívoro.

Enquanto os ovos de crocodilos têm dimensões entre seis centímetros por 3,5 centímetros, os ovos de dino carnívoro medem em torno de 12 a 13 centímetros de comprimento por seis a sete centímetros de largura.

“Normalmente, ovos fossilizados de crocodilomorfos possuem a casca externa com uma textura porosa ou lisa. Já a casca dos ovos dos dinossauros carnívoros possui uma textura em forma de ondinhas. Parecem pequenas minhoquinhas onduladas, o que difere da textura do crocodilomorfo”, diz Nava.

Detalhe dos ovos que medem cerca de 12 x 6 cm (Foto: Divulgação)

Segundo o paleontólogo, a ornamentação da casca desses ovos de dinos é muito semelhante à dos encontrados na Argentina e na Mongólia.

Os ovos foram encontrados isolados de qualquer outro vestígio de dinossauros, como dentes ou ossos, dificultando associar a uma espécie. Para determinar aproximadamente a que espécie ou a que grupo de dinossauros carnívoros de pequeno tamanho os ovos pertenceram será necessário um estudos em laboratório.

Os ovos estão ainda inteiros, não eclodiram devido a algum evento desconhecido que aconteceu naquela época e impossibilitou o nascimento dos filhotes.

“Esse é um dado interessante. Quem sabe se em um desses cinco ovos a gente tenha um embrião fossilizado. Seria super bacana, algo inédito pro Brasil”, destaca Nava.

Inicialmente, o estudo será concentrado nos fragmentos de casca. “Os ovos são materiais frágeis que precisam ser preservados, portanto inicialmente só fragmentos de casca serão encaminhados para a Universidade de Brasília (UnB) e lá serão submetidos a microscopia eletrônica de varredura, que são análises bem minuciosas tanto pra determinar que grupo de dinossauros carnívoros era quanto pra associar com algo que se tenha aqui na América do Sul”, conclui William.

Carolina Rolta

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