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Pacientes aguardam 2 anos por consulta oftalmológica em Marília

Uma reportagem da TV Tem mostrou hoje (5) a complicada situação da saúde em Marília. A falta de médicos nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Ambulatórios de Especialidades tem afetado diretamente a população que depende do atendimento na rede pública. Pacientes esperam até por 2 anos para uma consulta com um oftalmologista na cidade e mais de 10 mil pessoas aguardam na fila.

O aviso na porta da Unidade Básica de Saúde do bairro Costa e Silva informa aos pacientes: “não há pediatra, a médica está de licença”. Falta que se repete também na UBS do bairro São Miguel. Um clínico geral está de férias e também não há pediatra atendendo. Os pacientes são encaminhados para outras unidades ou, em caso de urgência, para o Pronto-Socorro Central.

A falta de médicos em Marília é um problema crônico. Para conseguir uma consulta com o oftalmologista, por exemplo, é preciso encarar uma fila de 10 mil pacientes que aguardam para serem atendidos no município e, 800, estão em uma fila ainda pior, já que tiveram o diagnóstico de catarata e aguardam para fazer cirurgia.

“Eu fiquei quase dois anos para receber atendimento. Fiquei esse tempo todo com muita dificuldade para enxergar e passando vergonha, porque meu olho ficava muito vermelho a noite. Só consegui porque eu e minha mãe ficávamos ligando na secretaria da saúde e indo nos postos praticamente todos os dias. Fizemos um escândalo. No final das contas consegui operar meu olho mas não deu certo, a cirurgia foi mal feita e o problema voltou. Agora estou esperando novamente.”, desabafa a administradora Naiara Toloto, que tem Pterígio (uma massa fibrovascular que se estende olho em direção à córnea e prejudica a visão).

“Nós temos algumas estratégicas para sanar essas filas enormes que temos. Uma delas é para cirurgia de catarata e, o mutirão para consultas de oftalmologia. Entre agosto e no máximo setembro para fazer isso”, afirmou o secretário de Saúde de Marília, Luiz Takano, em entrevista a rede de televisão.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, a cidade tem atualmente um déficit de 35 médicos nas UBS e de cinco nas Unidades de Saúde da Família. A prefeitura abriu um processo seletivo de urgência para contratar 31 médicos até outubro. Mas, o próprio Secretario de Saúde admite que o número é muito abaixo do necessário para atender a população.

O processo será para contratar 13 clínicos-geral, 12 ginecologistas e seis pediatras. O salário de R$ 3,7 mil não atrai a maioria dos médicos. Um processo realizado no ano passado, dos 17 aprovados, apenas três médicos assumiram o posto. O concurso público seria uma alternativa, mas de acordo com o secretário, a prefeitura esbarra na Lei de Responsabilidade Fiscal, que dificulta a abertura de concurso na cidade.

“Segundo os advogados e procuradores que a gente tem consultado para poder fazer a contratação. Temos que ainda comprovar um ano sem o aumento dessa folha. Pelo menos manter em um nível razoável. A gente não pode mesmo dentro da lei, a gente não pode fazer essas contratações”, informou Luiz Takano.

Com informações do G1

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