O aviso na porta da Unidade Básica de Saúde do bairro Costa e Silva informa aos pacientes: “não há pediatra, a médica está de licença”. Falta que se repete também na UBS do bairro São Miguel. Um clínico geral está de férias e também não há pediatra atendendo. Os pacientes são encaminhados para outras unidades ou, em caso de urgência, para o Pronto-Socorro Central.
A falta de médicos em Marília é um problema crônico. Para conseguir uma consulta com o oftalmologista, por exemplo, é preciso encarar uma fila de 10 mil pacientes que aguardam para serem atendidos no município e, 800, estão em uma fila ainda pior, já que tiveram o diagnóstico de catarata e aguardam para fazer cirurgia.
“Eu fiquei quase dois anos para receber atendimento. Fiquei esse tempo todo com muita dificuldade para enxergar e passando vergonha, porque meu olho ficava muito vermelho a noite. Só consegui porque eu e minha mãe ficávamos ligando na secretaria da saúde e indo nos postos praticamente todos os dias. Fizemos um escândalo. No final das contas consegui operar meu olho mas não deu certo, a cirurgia foi mal feita e o problema voltou. Agora estou esperando novamente.”, desabafa a administradora Naiara Toloto, que tem Pterígio (uma massa fibrovascular que se estende olho em direção à córnea e prejudica a visão).
“Nós temos algumas estratégicas para sanar essas filas enormes que temos. Uma delas é para cirurgia de catarata e, o mutirão para consultas de oftalmologia. Entre agosto e no máximo setembro para fazer isso”, afirmou o secretário de Saúde de Marília, Luiz Takano, em entrevista a rede de televisão.
O processo será para contratar 13 clínicos-geral, 12 ginecologistas e seis pediatras. O salário de R$ 3,7 mil não atrai a maioria dos médicos. Um processo realizado no ano passado, dos 17 aprovados, apenas três médicos assumiram o posto. O concurso público seria uma alternativa, mas de acordo com o secretário, a prefeitura esbarra na Lei de Responsabilidade Fiscal, que dificulta a abertura de concurso na cidade.
“Segundo os advogados e procuradores que a gente tem consultado para poder fazer a contratação. Temos que ainda comprovar um ano sem o aumento dessa folha. Pelo menos manter em um nível razoável. A gente não pode mesmo dentro da lei, a gente não pode fazer essas contratações”, informou Luiz Takano.
Com informações do G1
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