RJ - OPERAÇÃO-LAVA-JATO-PF - GERAL - Movimentação na sede da Polícia Federal, no Rio de Janeiro (RJ), durante a 51ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada na manhã desta terça-feira (8). Esta nova etapa foi batizada de Déjà vu. O objetivo, de acordo com a Polícia Federal (PF), é reunir elementos que provem a prática de corrupção, associação criminosa, fraudes em contratações públicas, crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e de lavagem de dinheiro, dentre outros delitos. 08/05/2018 - Foto: JOSE LUCENA/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/PAGOS
O operador do MDB Mário Miranda confessou crimes e deixou à disposição da Justiça US$ 7,2 milhões em valores repatriados – montante oriundo, segundo ele próprio, de práticas ilícitas em contratos da Petrobrás. Sob sigilo, as declarações de Miranda foram registradas pela força-tarefa da Lava Jato no dia 16.
O depoimento envolve contrato que, segundo a Odebrecht e os investigadores, beneficiou o MDB em 2010, em suposto acerto com políticos do partido, no escritório de Michel Temer em São Paulo O termo foi assinado após a prisão de Miranda no dia 8, na 51.ª fase da Lava Jato, que apura suspeita de propinas em benefício do partido.
A defesa de Miranda é constituída pelo advogado Antonio Figueiredo Basto, especialista em delação premiada. Pioneiro e responsável por acordos do doleiro Alberto Youssef, do corretor Lúcio Funaro e do dono da UTC, Ricardo Pessoa, Basto foi citado em delações. O jornal O Estado de S. Paulo revelou no sábado, 19, que os doleiros Vinícius Claret e Cláudio de Souza relataram pedido do advogado por uma “taxa” mensal de US$ 50 mil em troca de “proteção” em investigações. Basto nega e afirma que nunca teve contato com Claret e Souza.
Basto afirmou ao juiz Sérgio Moro que Miranda, “em longo depoimento gravado, reiterou seu firme propósito de colaborar com as investigações, de comparecer a todos os atos processuais e repatriar os valores ilícitos recebidos”. “O requerente procurou a Polícia Federal e Ministério Público Federal ainda em 2016 e antes da colaboração da Odebrecht com a finalidade de iniciar uma colaboração.”
Em janeiro, Miranda voltou a encaminhar, por meio de sua defesa, ofício à força-tarefa no qual diz estar à disposição para colaborar e devolver valores decorrentes de crimes. No entanto, ele acabou preso. Para os procuradores, há “contas secretas ainda mantidas no exterior e que não tiveram saldos sequestrados”, como a offshore Fairfamily Foundation, mantida pelo operador nas Bahamas.
De acordo com o advogado, no depoimento do dia 16 Miranda “respondeu a todas as perguntas e enfrentou as apontadas omissões que, segundo o MPF, justificaram a prisão preventiva”. Ele disse que o operador “manifestou que abre mão de eventuais valores depositados no exterior e concorda com a repatriação, comprometendo-se a apresentar “documentos da conta da fundação no Banco Heritage que deram origem à movimentação para a instituição nas Bahamas”.
Entre as contas de valores ilícitos repatriados e já postos à disposição das autoridades estão uma mantida no banco suíço Julius Bar, com saldo atualizado em 2 de abril de 2017 no valor de US$ 1.834.682, e outra no Credit Suisse, com saldo atualizado em 17 de março de 2017 no valor de US$ 5.449.540. Ainda restaria conferir “o saldo na conta mantida nas Bahamas cujos demais dados desconhece”.
Miranda foi preso preventivamente na Operação Dejà Vu, 51.ª etapa da Lava Jato. Essa investigação mira contrato da área Internacional da Petrobrás no valor de US$ 825 milhões que teria rendido propinas de US$ 40 milhões ao MDB, em suposto encontro entre delatores da Odebrecht, os ex-presidentes da Câmara Henrique Eduardo Alves e Eduardo Cunha e Temer, então candidato a vice-presidente, em 2010.
Defesas
A reportagem entrou em contato com a assessoria do Palácio do Planalto, mas não obteve resposta. Também procurou a defesa de Eduardo Cunha e Henrique Alves, mas elas não se manifestaram. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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