Categories: Brasil e Mundo

ONU vai denunciar Brasil por não punir policiais que matam

A Organização das Nações Unidas (ONU) pretende denunciar nesta terça-feira (8) a impunidade que predomina nos crimes cometidos pela polícia e por agentes de segurança no Brasil. Em informe que será apresentado ao Conselho de Direitos Humanos do órgão, o relator Juan Mendez alertará que os homicídios de autoria de forças de ordem são “ocorrências regulares”.

Procurado, o Ministério da Justiça não quis comentar a denúncia por considerar que os policiais respondem aos governos estaduais.

“Os casos de agentes de segurança que cometem abusos contra prisioneiros ou detidos não são investigados de maneira significativa e tais autores raramente são levados à Justiça”, diz Mendez. “Nenhum mecanismo independente de investigação existe para impedir que esses casos sejam arquivados.”

O relator afirma que a impunidade que vigora no Brasil “contribui para o aumento dos crimes violentos”. Ele relata que os suspeitos tentam resistir à prisão, pois sabem que serão torturados. Em muitos casos, diz, esses mesmos prisioneiros tentam se vingar da tortura que sofreram ao deixar a cadeia. “O espiral da violência criminal é exacerbado pela impunidade que prevalece.”

Mendez deixa claro que os casos de crimes cometidos pela polícia não são pontuais, mas sim “regulares”. Usando dados nacionais, a ONU indica que, em média, seis pessoas morreram por dia no Brasil em 2013 em operações policiais. “Na vasta maioria dos casos de uso excessivo de força, a polícia indica resistência à prisão seguida por morte, o que evita levar os autores diante de uma corte”, diz.

De acordo com a ONU, em 220 investigações, somente uma delas resultou em condenação. Por isso, a organização pede o fim da classificação de “autos de resistência”.

‘Tratamento cruel’

O informe também ataca a situação das prisões brasileiras. “As condições de detenção são equivalentes a um tratamento cruel, desumano e degradante”, diz o relator.

Mendez cita como exemplo a visita que fez à Penitenciária de Pedrinhas, no Maranhão. “As unidades estão superlotadas e prisioneiros ficam de 22 a 23 horas por dia fechados em suas celas. Visitas ocorrem em condições humilhantes. A presença de guardas fortemente armados também poderia ‘levar a uma nova rodada de mortes’.”

Segundo a ONU, o Brasil tem a quarta maior população carcerária do mundo, com 711 mil pessoas. Há 30 anos eram 60 mil. Mendez pede que o governo brasileiro foque em reduzir a população carcerária. Para isso, sugere medidas alternativas, mas ressalta que abrir mão de penas contra a violência doméstica não é o caminho.

Fonte: IG

Amanda Brandão

Recent Posts

Caminhada da Divina Misericórdia será realizada em abril com percurso de 15 km

Fiéis percorrerão 15 km até o mosteiro com missa e bênção ao final (Foto: Divulgação)…

2 horas ago

Atleta de Marília conquista título Sub-18 em etapa da Liga do Enxadrista

A atleta mariliense Isabella Ferreira conquistou o título da categoria Sub-18 feminino na 2ª etapa…

2 horas ago

Circuito Café de Hotel começa dia 20 com programação gastronômica e ação solidária

Evento oferece cafés da manhã a preços promocionais e premiações ao público (Foto: Divulgação) A…

2 horas ago

Procon Marília aponta variação de preços e orienta compras na Páscoa

Procon está divulgando pesquisa de preços de produtos da Páscoa (Foto: Divulgação) O Procon Marília…

2 horas ago

Domingo da Família tem programação especial com Cidade Mirim na praça da Emdurb

Domingo da Família reuniu grande número de pessoas na avenida das Esmeraldas (Foto: Divulgação) O…

2 horas ago

Polícia Militar Rodoviária apreende cerca de 700 quilos de drogas em Marília

Entorpecentes apreendidos pela Polícia Militar Rodoviária em Marília (Foto: Alcyr Netto/Marília Notícia) Uma operação da…

14 horas ago

This website uses cookies.