Dependência emocional raramente surge como carência evidente.
Costuma aparecer de modo mais elaborado: cuidado excessivo, busca constante por proximidade ou dificuldade em sustentar distância.
Externamente, parece vínculo.
Internamente, funciona como tentativa silenciosa de preencher algo ainda não elaborado.
A atenção quase sempre se volta ao outro.
À relação.
Ao receio de perder.
Pouco espaço resta para observar o que permanece oculto: o vazio interno que antecede essa dinâmica.
Esse vazio não se resume à falta de amor próprio em sentido superficial.
Trata-se de uma lacuna construída ao longo do tempo, quando identidade passa a se organizar a partir do olhar externo.
Validação vem de fora.
Valor pessoal depende da resposta alheia.
Sensação de existir se fortalece apenas na presença de alguém.
Nesse cenário, a relação deixa de ser espaço de troca e passa a funcionar como regulador emocional.
Na prática clínica, essa configuração aparece associada a pensamentos automáticos como “sem essa pessoa não sei quem sou”, “distância indica ameaça” ou “manter o vínculo é obrigatório”.
Essas ideias não surgem por fragilidade moral nem por ausência de força interna.
Surgem como estratégias de proteção frente ao desconforto de entrar em contato com o próprio vazio.
A Terapia Cognitivo-Comportamental compreende esse movimento como aprendizado relacional.
Quando o contato consigo não oferece segurança, o outro assume essa função.
O ponto central não está no desejo de proximidade.
Está na função atribuída a essa proximidade.
Quando o relacionamento serve para silenciar angústias internas não elaboradas, qualquer possibilidade de afastamento ativa medo intenso, vigilância constante e comportamentos de controle.
Não por amor exagerado, mas por dificuldade em sustentar espaço psíquico próprio.
Assim, dependência emocional protege contra algo maior: o encontro consigo em estado de vazio.
Esse vazio costuma ser evitado a todo custo.
Preenchido por presença contínua, mensagens frequentes, fusão emocional ou adaptação excessiva.
Qualquer movimento que impeça a sensação incômoda de não saber exatamente quem se é fora da relação.
Entretanto, quanto mais esse estado é evitado, mais ele se amplia.
E quanto mais se amplia, maior se torna a necessidade do outro.
Existe uma distinção essencial entre vínculo e substituição interna.
Vínculo pressupõe encontro entre duas individualidades.
Substituição ocorre quando alguém ocupa o lugar que deveria ser sustentado internamente.
Reconhecer essa diferença exige maturidade emocional e disposição para olhar além do comportamento visível.
Trabalhar dependência emocional não implica rompimento de relações nem incentivo ao isolamento.
Implica fortalecimento da capacidade de sustentar a própria experiência interna sem terceirização constante.
Implica desenvolver recursos para tolerar silêncio, ausência e incompletude sem desorganização.
Quando o vazio finalmente é encarado, deixa de ser ameaça.
Passa a ser ponto inicial para construção identitária mais estável e vínculos mais saudáveis.
Dependência emocional tenta esconder o vazio interno porque ainda não houve espaço para conhecê-lo.
Quando esse espaço se constrói, a relação deixa de ser refúgio e passa a ser escolha.
Relações baseadas em escolha sustentam presença com liberdade, não com medo.
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Vanessa Lheti é psicóloga clínica (CRP 06/160363) e especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental e Prática Baseada em Evidências.
Os atendimentos psicológicos online podem ser agendados pelo WhatsApp (18) 9 9717-7571.
Mais informações podem ser obtidas no Instagram @psicovanessalheti ou pelo site.
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