Brasil e Mundo

Nova moeda comum para o Mercosul? Uma breve reflexão

Por Benedito Goffredo

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em visita à Argentina, defendeu a implementação de uma moeda comum para transações comerciais e financeiras. Essa declaração foi dada ao lado de Alberto Fernández, presidente do país vizinho. Ele também afirmou que os respectivos ministros da Fazenda estão trabalhando para apresentar uma proposta.

Assim, as discussões sobre a criação de uma moeda comum para o Mercosul (bloco econômico é formado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) tomaram conta dos noticiários.

Uma ressalva importante: moeda comum não é sinônimo de moeda única. A ideia dos governos não é a substituição das moedas locais – o real no Brasil e o peso na Argentina -, mas sim a redução da dependência no dólar para a realização de comércio entre os países. Moeda única é aquela usada como oficial em territórios integrantes de um bloco geopolítico (um exemplo de moeda única é o Euro, usado como oficial em 20 dos 27 países da União Europeia).

Já a moeda comum é uma unidade monetária utilizada em diferentes países, não sendo necessariamente considerada a moeda oficial de cada território especificamente e não significa um único câmbio para todos os países do bloco. Pode ser utilizada paralelamente em transações econômicas entre países, sem que a moeda oficial de cada território seja extinta.

Os movimentos para a criação de uma moeda conjunta não é assunto recente. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já havia abordado o tema no seu mandato anterior como chefe do Executivo, assim como o ex-ministro da Economia, Paulo Guedes, ponderou discutir o assunto durante o governo de Jair Bolsonaro.

E o propósito de conceber uma moeda única dentro da Mercosul é ainda mais antigo. Alguns analistas econômicos já defendiam em 1999 uma unificação monetária, assim como aconteceu na Europa no final do século XX.

A eventual criação de uma moeda comum no âmbito do Mercosul deve ser vista com algumas ressalvas, principalmente pela complexidade da implementação da medida e pelos obstáculos advindos das disparidades entre as economias dos países membros do bloco.

As situações econômicas atuais de Brasil e Argentina podem impedir o avanço de um projeto sólido neste momento. Portanto, há debates profundos a serem realizados e longos estudos de viabilidade. Vencida esta etapa, pode significar a simplificação e modernização das regras e reduzir custos operacionais nas transações comerciais entre os países.

Benedito Goffredo é professor e economista

Alcyr Netto

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