Marília

Nova fase vermelha desanima setores mais prejudicados pela pandemia

Os setores mais castigados mostraram desânimo e revolta pela nova situação (Foto: Leonardo Moreno/Marília Notícia)

O anúncio da regressão da região de Marília à fase vermelha do Plano São Paulo foi recebido com surpresa pela maior parte dos comerciantes. O presidente da Associação Comercial e Industrial de Marília (Acim), Adriano Martins, descreveu a situação como ‘próxima do caos’.

Na etapa de restrição máxima, só há funcionamento normal de farmácias, mercados, padarias, lojas de conveniência, bancas de jornal, postos de combustíveis, lavanderias e hotelaria. Já os comércios e serviços não essenciais só podem atender em esquema de retirada na porta, drive-thru e entregas por telefone ou aplicativos.

Os setores mais castigados economicamente pela pandemia mostraram desânimo e revolta pela nova situação. A Prefeitura de Marília já antecipou que não existem alternativas, tendo em vista que o cumprimento das regras é objeto de ação judicial, com recursos esgotados.

Adriano Martins foi enfático: “Estamos nos aproximando do caos. Algumas empresas estão conseguindo se manter com muitas dificuldades, mas muitas delas não aguentarão”, projetou.

O dirigente afirmou ainda que o problema (propagação do coronavírus) não está no comércio, mas nas aglomerações clandestinas. Martins pediu mais fiscalização e punição aos grupos que não estão respeitando os protocolos.

“A imprensa flagra constantemente esse tipo de comportamento, que pede medidas mais drásticas. Temos que incentivar as denúncias de aglomerações em qualquer circunstância”, disse.

Adriano Martins, presidente da Acim: “Estamos nos aproximando do caos” (Foto: Marcio Medeiros/Acim)

Restaurantes

“Revolta total. Não sei como os empresários irão proceder”, resumiu o presidente do Sindicato Patronal de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Marília e Região, Sinval Gruppo.

O segmento foi um dos mais penalizados pela pandemia, em função da proibição de funcionamento mesmo na fase laranja, durante longo período no ano passado.

De forma pontual, é também um setor alvo de críticas, por receber público noturno para consumo de bebida alcoólica, muitas vezes com horas de permanência e risco de inobservância dos clientes aos cuidados de distanciamento. Na prática, alguns descumprem os protocolos, e todos os outros, com conduta correta, ‘pagam o pato’.

Academias

Rodrigo Lucca, proprietário de academia, lamentou o impedimento do Plano São Paulo. “Estamos inconformados. Dependemos de cada centavo que entra aqui, não sei como vai ser”, alertou.

O setor perdeu pelo menos 50% do movimento e, por consequência, o faturamento. Além do ambiente de medo causado pela pandemia intimidar parte da população, há ainda a descontinuidade causada pelo ‘abre e fecha’.

“Temos os protocolos, os cuidados e, sinceramente, não acredito que seja perigoso à saúde frequentar uma academia, como é se aglomerar em eventos ou mesmo no transporte”, disse Lucca.

Máscaras, redução de alunos e distanciamento fazem parte do protocolo para academias, que agora ficam impedidas (Foto: Agência Brasil)

Empresário do setor há décadas, Hilton Yoshida lamentou a quebradeira de academias, o que já começou no primeiro semestre do ano passado. “Muitas já foram. Deram uma tijolada em nós, agora estão dando facadas. Estávamos feridos, parece que agora é para matar”, compara.

Estética

Marieli Santana, esteticista e designer de sobrancelhas, trabalha dentro de um salão de beleza. “Não tem como viver sem trabalhar. Nós não temos aglomeração. O atendimento é apenas com hora marcada e horários bem espaçados”, relata.

A profissional de estética disse ainda que o setor – como a maioria – ainda não teve tempo de se recuperar. Ela acredita que seria possível manter a segurança, sem fechar postos de trabalho e causar tanto estrago na economia.

“Ficamos 6 meses fechados, foi péssimo. Quando autorizados, trabalhamos com os protocolos”, relatou.

Mesmo com hora marcada, salões e estabelecimentos do tipo estão impedidos de funcionar (Foto: Leonardo Moreno/Marília Notícia)

Publicação oficial

Questionada sobre a necessidade ou não de decreto ou publicação oficial, sobre a fase vermelha, a Prefeitura de Marília ainda não se manifestou.

Nota informou apenas que o município está impedido de regras diferentes, das previstas no decreto do Plano São Paulo.

“A Prefeitura de Marília informa que depois de diversas tentativas de flexibilizar as fases do Plano São Paulo, pensando na saúde dos marilienses e ao mesmo tempo na economia da cidade, infelizmente por orientações, decisões e determinações (sujeito aplicação de multas) do Ministério Público e do Tribunal de Justiça, vai ter que seguir o Plano São Paulo”, diz o comunicado.

Carlos Rodrigues

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