Nelson Granciéri presta depoimento na CPI. (Foto: Norton Emerson)
A semana de trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que apura o rombo financeiro no Instituto de Previdência de Marília (Ipremm), terminou com o depoimento do ex-secretário da fazenda Nelson Virgílio Granciéri, o Nelsinho.
Durante uma hora e meia Nelsinho respondeu às perguntas dos integrantes da CPI e argumentou que toda a inadimplência com o Ipremm, no período em que exerceu o cargo de secretário da fazenda, foi devido ao déficit financeiro do município.
Nelsinho exerceu o cargo de julho de 2008 a dezembro de 2011, período em que também era o chefe de gabinete.
“Quando assumi a fazenda o déficit financeiro da prefeitura era de R$ 80 milhões e outros R$ 10 milhões de dívidas, sem empenho, deixados pela administração anterior”.
Granciéri também disse que, à época, a receita própria mensal do município era, em média, de R$ 6 milhões e que a receita vinculada era de R$ 20 milhões ao mês.
Durante todo o depoimento Nelson Granciéri fez questão de deixar claro que a decisão final sobre todos os pagamentos era do chefe do executivo.
“Teve gente que disse aqui, que a culpa era do secretário da fazenda e que não sabia de nada. Isso é hipocrisia porque a palavra final é sempre do prefeito. É ele quem decide e quem manda pagar ou não pagar. O prefeito sabe de tudo e de toda a situação financeira da Prefeitura e do Ipremm”, disparou.
A declaração faz referência ao depoimento do ex-prefeito, Vinícius Camarinha (PSB), que alegou desconhecimento sobre inadimplência da Prefeitura com o Ipremm durante seu governo. Vinícius respondeu Nelsinho horas depois [veja aqui].
O ex-secretário declarou que, a exemplo de outras administrações, o governo Bulgarelli também elegeu prioridades para pagamentos.
“Nossas prioridades eram com a folha de pagamento dos servidores, o duodécimo da Câmara, o pagamento à Codemar, aos hospitais, o pagamento de cesta básica, a subvenção à associação dos servidores para a Unimed, entre outros. Não dava para pagar tudo”.
Nelsinho disse ainda que devido ao “caixa” do Ipremm, o instituto deixou de ser tratado como prioridade.
“O Ipremm tinha caixa para fazer os pagamentos, independente dos nossos repasses, por isso, optávamos por cobrir outros serviços essenciais para o município”.
Perguntado se houveram reuniões com a diretoria do instituto de previdência para tratar do rombo financeiro, o ex-secretário disse ter participado de várias, mas que não havia uma solução para o problema.
Nelsinho disse ainda que, devido à falta de alternativa, durante uma dessas reuniões, foi decidido elaborar e encaminhar um Projeto de Lei à Câmara, solicitando o parcelamento da dívida com o Ipremm.
Sobre quem dava a ordem para o Ipremm utilizar o Fundo Previdenciário para realizar o pagamento dos aposentados, o ex-secretário foi enfático.
“Sempre o prefeito. Ele quem determinava. Ele quem decidia”.
Granciéri também fez questão de afirmar que algumas medidas econômicas foram adotadas pelo governo municipal para diminuir despesas.
“Uma das medidas foi a implantação do Diário Oficial do Município (DOM), para as publicações da prefeitura. Com isso economizamos entre R$ 150 mil e R$ 200 mil por mês, que antes, eram gastos com jornais da cidade”.
Os membros da CPI questionaram se Nelsinho sabia das implicações jurídicas que a inadimplência e a falta de repasses das contribuições dos segurados, poderiam provocar.
“Sabíamos de tudo. Eu, prefeito, secretários, presidente do Ipremm, todos. Porém, não havia alternativa. Não havia recursos para o pagamento”, finalizou Nelson Granciéri.
As oitivas da CPI devem terminar no próximo dia 2 de fevereiro, quando deverão prestar depoimento, o ex-prefeito Mário Bulgarelli (PHS) e o atual prefeito, Daniel Alonso (PSDB).
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