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Nascido na Vila Barros, MC Vnew lança seu primeiro EP solo

Capa do single ‘Sangue Latino-americano’, faixa do álbum ‘Ciclos’ (Imagem: Divulgação)

Vinicius Peres nasceu em 1992 na Vila Barros, bairro periférico localizado na zona Norte de Marília. A maioria da população está acostumada a associar a região com problemas que envolvem a vulnerabilidade social e a criminalidade, mas desta vez é diferente. Trata-se de música, cultura e arte.

MC Vnew, como é conhecido no hip hop, transformou as adversidades em poesia e as dificuldades em protesto. Com dez anos de carreira e passagem por duas diferentes formações musicais, ele acaba de lançar seu primeiro EP solo, intitulado “Ciclos”, com seis faixas inéditas.

O single “Sangue Latino-americano” já está disponível para ser ouvido e um videoclipe está em fase de produção. Em breve, todas as músicas devem estar disponíveis para o público. Ouça abaixo a primeira delas e adiante alguns dos projetos realizados no passado.

“Eu cresci na Vila Barros. Foi onde me criei e tive contato com o hip hop e a cultura marginal. Até meus 16 anos, eu só apreciava a música, mas depois disso comecei a esboçar umas letras mais sérias, rimas com sentido”, conta Vnew ao Marília Notícia.

Foi aí que o artista começou a conhecer os B-boys, DJs, MCs, grafiteiros e demais personagens que compõem o rap.

MC Vnew, nascido e criado na Vila Barros, lança seu primeiro disco solo (Foto: Divulgação)

“Fui criando uma relação cada vez mais estreita com este mundo. Comecei e continuo escrevendo sobre o que eu vejo e vivo na quebrada, fazendo um apanhado da realidade das pessoas que estavam e estão próximas de mim. Foi assim que iniciei minhas linhas e nelas eu sigo”, lembra.

Seu primeiro grupo foi lançado em 2012. Fizeram parte da Problema Crew com Vnew, os DJs Felipe Moc e Dorobô, mais Kelvin Dom, Souldi e Rimapaz (vocal). “Lançamos alguns singles e chegamos a lançar um EP promocional, de trap”, conta o MC.

Em 2014, o artista passou a fazer parte de outra formação, chamada Luminares Trip. Foram três álbuns, além de alguns singles e muitas participações. “Lançamos os discos ‘Até que a morte nos reúna’, ‘Perpetuamente’ e ‘Atravessando a Babilônia’”, conta.

Tanto Problema Crew quanto Luminares Trip seguem como projetos paralelos. Mas desde 2018, Vnew vinha sentindo cada vez mais vontade – e coragem – de lançar carreira solo, o que finalmente tem se concretizado. “Já vinha ensaiando há três anos, mas devido aos corres da vida, faculdade, filho pequeno, tive que ir me segurando”, detalha.

Além de clássicos do rap nacional, e a realidade em que cresceu, o curso de Ciências Sociais da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Marília também serve de fonte de inspiração para Vnew.

Não são poucas as referências em suas letras a filósofos ou ideias desenvolvidas por sociólogos, antropólogos e cientistas políticos.

Na música do MC, grandes pensadores se misturam com ritmos como o reggae – e mais especificamente o dub – e a temas e batidas que remetem a Racionais MCs, Facção Central, Realidade Cruel, Consciência Humana, Dexter, Gog, Xis, Sabotage, Notourious Big, Tupac, Doctor Dre e outros monstros sagrados do hip hop.

Problema Crew (Foto: Divulgação)

Sobre o EP “Ciclos”, Vnew explica que traz “reflexões sobre o tempo, tentando resgatar uma identidade talvez perdida no Brasil miscigenado, rico culturalmente, mas ao mesmo tempo apagador de histórias, como  a escravidão, usurpação das terras, expulsão e execução dos povos originários”.

“Tento me olhar no espelho e imaginar quem eu sou. A partir disso, eu tento fazer uma conexão com os ciclos, do nosso tempo, com o tempo dos que já se foram e dos que ainda vão vir. Tento fazer uma visão crítica e poética de toda essa realidade que eu partilho e não é fácil, no Brasil, para uma maioria, descendente de imigrantes ou povos escravizados”, completa.

Além do vocal, no EP “Ciclos”, Vnew também assina a produção audiofônica com Felipe Moc e Dorobô. Já a produção executiva é comandada por Paracelso Di Manno.

Vnew e Paracelso Di Manno (Foto: Divulgação)

Felipe Moc (Foto: Divulgação)

Dorobô (Foto: Divulgação)

Leonardo Moreno

Leonardo Moreno é jornalista e atualmente cursa Ciências Sociais. Vê o jornalismo de dados como uma importante ferramenta para contar histórias, analisar a sociedade e investigar o poder público e seus agentes.

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