Política

‘Não sou contra Bolsonaro, sou contra quem vota nele’, diz Fernando Meirelles

Apoiador declarado de Marina Silva desde 2010, Fernando Meirelles faz parte da equipe de cineastas voluntários, que vai fazer os ‘filmes’ para a candidata neste ano. Em entrevista por e-mail, ele lamenta não poder atingir públicos maiores nas redes sociais, como a TV consegue, e conta que seu vídeo deve dialogar mais com a classe média.

O diretor indicado ao Oscar pelo filme “Cidade de Deus” chegou de Los Angeles no Brasil durante o final de semana para gravar, durante a semana, o seu filme. Ele disse a candidata neste ano está com ideias “mais afinadas” e que representa um “antídoto” contra a ameaça ao meio ambiente.

Sobre a disputa, criticou candidatos que defendem mudança no Estatuto do Desarmamento, principalmente, Jair Bolsonaro (PSL). Aliás, disse que “não é contra” o presidenciável, mas “em quem vota nele”, que, na sua avaliação, simboliza um forte retrocesso Confira abaixo principais trechos da entrevista:

Por que o sr. resolveu apoiar a Marina de novo neste ano e qual seu papel na campanha?

Se sairmos da batalha sangrenta do dia a dia, é muito fácil ver que o futuro do nosso planeta está mais do que ameaçado, já está comprometido. Enquanto os outros candidatos falam em fortalecer a exploração de petróleo ou explorar minério na Amazônia, a Marina é um antídoto contra essa ameaça.

Também gosto da ideia de governança em rede, um governo que ouça a sociedade e inclua academia, ONGs, empresários e conecte todas essas pessoas. Governo centralizado é coisa do século XX. Já foi

Qual a diferença da Marina neste ano para os anos anteriores?

As ideias vão sendo afinadas. As ideias para formação de professores usando a internet, ou para o uso de blockchain para garantir transparência e governança não estavam previstas quatro anos atrás. As propostas para mudança climática e florestas estão mais avançadas: desmatamento zero até 2030 e emissão líquida zero até 2050, algo com que nenhuma grande economia se comprometeu ainda. Mas as bases, os princípios e postura ética são os mesmos.

Qual mensagem você pretende passar nos seus filmes?

O programa de governo da Marina tem propostas que mudam paradigmas. A ideia é falar sobre algumas dessas ideias, como a mudança para matriz energética limpa, apoio forte à agricultura familiar e o foco na primeira infância começando a preparar uma geração que pode transformar o país daqui a 20 anos.

O principal eleitorado da Marina é mulher, pobre, preta/parda, nordestina e de baixa renda e escolaridade. Isso vai se refletir nos vídeos? Elas serão o público principal? Por quê?

Seria ótimo conseguir falar com todo mundo, mas sem TV é difícil chegar em muitos lugares. O Fred (Mauro, outro cineasta que está no projeto) está fazendo um filme para dialogar com este público e eu estou falando mais com classe média.

Quem é a Marina que você pretende apresentar?

Gosto do lado estadista da Marina, que pensa um projeto de país a longo prazo. Sustentabilidade tem total relação com construir o futuro. A ideia de energia limpa, de educar crianças desde a formação neural, ou a agricultura agroecológica, têm relação com isso. Já quem propõe armar a população, que futuro está imaginando?

O sr. está falando de Bolsonaro?

Ele é um, mas o (João) Amoêdo (candidato do Novo) também é a favor de afrouxar o controle da venda de armas e a vice do Ciro (Gomes, do PDT) também acha que no campo todo mundo deveria manter uma garrucha embaixo do travesseiro. Me apavora pensar que pode haver uma arma dentro da bolsa da Dona Eliana, uma senhora histérica que conheço.

Ela dá piti em supermercado, briga com garçom, fica furiosa no trânsito. Se sem arma ela já é uma ameaça a sociedade, imagina a Dona Eliana armada. Vai dar ruim com certeza.

Por que vai dar ruim? Como vê a candidatura dele?

Eu não sou contra o Bolsonaro, eu sou contra quem vota nele. O cara tem direito de ser maluco. Juro que tenho tentado escutá-lo para entender o que atrai tanto seus eleitores, mas 90% do que ouço é a repetição exaustiva das mesmas coisas: “Vou armar a população, vou prender, vou matar, vou castrar, vou desapropriar índio, desapropriar quilombola, vou derrubar floresta para explorar minério.

Não ouvi muito mais que isso. Como discordo de todas estas “ideias”, vejo-o como um retrocesso forte para o País. Fiz uma piada sobre seus eleitores, mas compreendo a vontade desesperada de colocar ordem nesta bagunça. Nisso estão certos, mas já tentaram colocar ordem no Brasil na marra e não funcionou.

Com a rejeição da candidatura o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Marina como sua principal herdeira, como o seu filme/vídeo poderia atrair esse eleitorado?

Sinceramente não estou fazendo os filmetes pensando em atrair eleitores, estou apenas tentando informar falando sobre alguns pontos do programa que merecem mais visibilidade. O esforço é falar de maneira clara, rápida e com algum molho para que possa se espalhar ao máximo.

Agência Estado

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