Polícia

Mulher que matou marido violento e abusador é absolvida pela Justiça

Homem praticava violências diversas contra a esposa, apontou investigação (Foto: Divulgação)

A Justiça de Paraguaçu Paulista absolveu nesta sexta-feira (26) – após audiências que ouviram testemunhas – uma mulher que reagiu à violência doméstica e matou o marido. Karina Correa de Souza desferiu um golpe de faca contra o companheiro, Gilmar Gomes de Souza, em maio de 2021.

O Ministério Público e a defesa da ré foram convergentes. Com a decisão, ela sequer enfrentará júri popular. Karina relatou violências físicas e sexuais do então companheiro.

A promotoria – que tem função de promover a justiça, habitualmente acusando o réu – entendeu que nesse caso as provas de legítima defesa foram robustas.

Durante o processo, os depoimentos trouxeram à tona detalhes cruciais para a compreensão do caso. Uma das filhas relatou que, por vezes, o pai dizia para sua mãe: “estou assim porque você não quis ter relação comigo, sua amaldiçoada, maldita, debilóide”.

Depoimentos também apontaram que Gilmar sempre foi violento, usava drogas, bebida alcoólica e tinha compulsão sexual. Comportamentos inapropriados – não relatados à polícia anteriormente, mas que poderiam ser tipificados como crimes sexuais – foram detalhados por familiares.

FOI SEM QUERER

Um dos policiais militares ouvidos pela Justiça afirmou que ao chegar ao local do crime, encontrou uma cena de aparente luta na cozinha da residência, com objetos caídos e sinais de confronto. Ele relatou que a faca usada pela mulher era de uso comum no ambiente doméstico.

Ainda conforme o relato, Karina estava visivelmente abalada e preocupada com o estado de saúde da vítima, indicando que não havia planejado o ocorrido. Três filhas do casal, a mãe e o irmão de Gilmar, além da sogra, relataram o comportamento violento.

“Ademais, o exame necroscópico do corpo de Gilmar aponta que ele foi atingido por um único golpe de objeto ‘perfuro cortante em região infraclavicular direita de mais ou menos cinco centímetros’, notando-se que o golpe, ainda que fatal, não foi profundo, o que reforça a versão apresentada pela ré em juízo, de que apenas estava com a faca para se defender, quando a vítima virou-se e foi atingida”, escreveu a juíza Chris Avelar Barros Cobra Lopes.

Embora a decisão seja em primeira instância, o posicionamento do Ministério Público já indica que não deverá haver recurso contra a sentença. Karina segue livre.

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Carlos Rodrigues

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