Marília

Idosa supera perda, adota praça e dá exemplo

Dona Thereza dá exemplo ao cuidar da praça em frente da casa onde vive: “não gosto de gente vagabunda”, dispara (Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal)

Vassoura ou enxada nunca intimidaram a dona Thereza Caijano, de 87 anos, moradora do bairro Vista Alegre, na zona Sul de Marília. A idosa chama a atenção de quem passa pela rua Itália e vê o cuidado que ela dedica a uma praça, na frente da casa onde vive há cerca de um ano.

O zelo pelo espaço é terapêutico, após a morte do marido, o aposentado Angelo Caijano, vítima da Covid-19. O companheiro tinha 97 anos de idade, dos quais compartilhou 70 com dona Thereza. A neta, Ivete Seixas, conta que eles eram inseparáveis.

“Depois que meu avô morreu, tiramos ela da casa onde moravam porque eram muito apegados. Ela era só tristeza, mas depois que começou a cuidar dessa praça, encontrou uma motivação”, relata.

Dona Thereza não se conformou com o acúmulo de folhas, a falta de poda nas árvores, lixo e entulho que alguns moradores jogavam. Em pouco tempo, na lida diária com uma pequena e leve enxada, com o rastelo e vassouras que ela encontrou distração e mudou o espaço.

Dona Thereza com a neta, Ivete; “exemplo para muita gente” (Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal)

A neta diz que a praça ficou tão bonita que a família buscou autorização e colocou um trailer de lanches no local. Assim, podem trabalhar de forma autônoma e cuidar de perto da avó. “A gente tem que ficar de olho para ela não sair sozinha, porque é perigoso ao atravessar a rua”, afirma.

Serviços mais pesados foram feitos pelos familiares. As árvores foram podadas e novas plantas inseridas. Ivete buscou placas na Prefeitura para alertar que a praça da vovó não é lugar de lixo.

Nos dias quentes, dona Thereza descansa à sombra das árvores e dá lições para os mais jovens. “Eu sou mulher trabalhadeira. Desde que peguei na enxada com sete anos, estou trabalhando e, com 87 anos, não tenho medo de serviço e não gosto de gente vagabunda”, dispara.

No novo espaço, às vezes com olhar distante – em memórias de tantos anos – a idosa se refugia. E nas visitas ao cemitério, onde o jazigo do marido é um dos mais bem cuidados, aproveita para varrer o excesso de folhas, nas sepulturas vizinhas.

“Eu acho o exemplo da minha vó inspirador. Porque tanta gente fica só reclamando do lixo, do abandono do lugar onde vive. Mas o que está fazendo para mudar isso? É obrigação do Poder Público, claro, mas se podemos fazer algo, porque ficar só reclamando?”, questiona a neta da dona Thereza, que diverte a web com vídeos da idosa.

Carlos Rodrigues

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