Política

MPF pede que Pazuello explique vacinação de quilombolas

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, tem três dias para responder ao Ministério Público Federal qual é a efetiva prioridade dispensada pela pasta à população quilombola na imunização contra a covid-19. Inicialmente, a parcela foi incluída entre os grupos prioritários na fila de vacinação, como mostra o plano nacional de imunização apresentado pela pasta ao Supremo Tribunal Federal em dezembro. No entanto, a estimativa de distribuição das doses reservadas para as primeiras etapas da campanha não identifica explicitamente a população.

Em ofício enviado ao general nesta terça-feira, 19, a Procuradoria pede esclarecimentos sobre a “omissão” e afirma que, em uma análise preliminar, a falta de uma diretriz clara sobre a prioridade de imunização dos quilombolas parece ter contribuído para que alguns Estados tenham excluído o grupo de seus planos de vacinação. Em São Paulo, por exemplo, o governador João Doria (PSDB) havia tirado prioridade dos quilombolas. O tucano voltou atrás após a repercussão negativa da exclusão.

“Considerando que a interpretação lógica do plano permite a conclusão de que as comunidades quilombolas devem fazer parte da 1ª fase, e que sua omissão parece ter contribuído para que alguns Estados excluíssem tal grupo de seus planos de vacinação, solicito a Vossa Excelência esclarecimentos acerca dessa omissão”, diz um trecho do ofício.

No mesmo documento, a subprocuradora Eliana Peres Torelly de Carvalho, que é coordenadora da Câmara de Populações Indígenas e Comunidades Tradicionais do MPF, diz que a pasta deverá esclarecer por que considerou prioritários os ribeirinhos e quilombolas, mas não outros grupos vulneráveis, como pescadores artesanais.

Por fim, pede que o Ministério da Saúde apresente a base de dados usada para estimar o número de vacinas necessárias à imunização dos indígenas.

O ofício enviado a Pazuello é resultado de uma perícia feita no Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19, elaborado pelo Ministério da Saúde, e nos planos estaduais de vacinação. “Neles, foram constatadas inconsistências que, na avaliação do órgão superior, podem prejudicar a imunização e fragilizar ainda mais a proteção aos povos e comunidades tradicionais”, informou o Ministério Público Federal.

Na avaliação da equipe responsável pelo trabalho, embora os planos de vacinação contra o novo coronavírus incorporem os povos indígenas, quilombolas e ribeirinhos como grupos prioritários, há pouca precisão sobre quais grupos serão realmente imunizados prioritariamente e em que fase da campanha isso ocorrerá.

Agência Estado

Recent Posts

Jovem tenta matar ex-namorado com seis facadas em Garça

Mulher foi presa após esfaquear ex-namorado por não aceitar o final do relacionamento (Foto: Alcyr…

8 horas ago

Polícia Civil prende acusado de matar e assar gata em condomínio

Caê Bellini Saldanha foi preso pela equipe da Polícia Civil de Garça em Marília (Foto:…

11 horas ago

Troca de pneus rende prêmio de R$ 40 mil para moradora de Marília na Odair Pneus

Moradora de Marília foi contemplada com prêmio de R$ 40 mil (Foto: Divulgação) Uma simples…

11 horas ago

Em clima de Copa, Câmara convoca vereadores para sessão às 9h de segunda-feira

Plenário é o 'campo de jogo político' do Legislativo e do Executivo em Marília (Foto:…

14 horas ago

Exigências regulatórias da UE podem embarreirar pequenos cafeicultores

Restrições que serão impostas pelo Regulamento da União Europeia sobre Produtos Livres de Desmatamento (EUDR) até…

15 horas ago

This website uses cookies.