O acirramento dos ânimos entre o Palácio do Planalto e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ganhou um novo foco: a Medida Provisória 910, da regularização fundiária. O governo afirma que Maia tem segurado a votação da proposta – conhecida na oposição como a “MP da grilagem” – sem motivo, porque já haveria uma maioria formada para aprovar a medida. A oposição critica o governo de agir com açodamento e de querer aprovar um tema sensível sem o devido debate.
Mentor da proposta, o secretário de assuntos fundiários do Ministério da Agricultura, Nabhan Garcia, disse ao Estadão que Maia faz “uso político” da situação. Procurado pela reportagem, o presidente da Câmara reagiu duramente: “É um mentiroso”, referindo-se a Nabhan.
A MP 910 “caduca” (perde validade) se não for aprovada e sancionada até o dia 19 de maio. A medida provisória estabelece novos critérios para a regularização fundiária de imóveis da União e do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). No alvo estão assentamentos ocupados até 2012, com área de até 15 módulos fiscais, unidade que varia de 5 a 110 hectares
O governo argumenta que, ao titular as posses, vai conseguir ter maior controle da terra e, ainda, responsabilizar proprietários por danos ao meio ambiente. Críticos à medida alegam, porém, que o governo está cedendo terras a grileiros e invasores da floresta, inclusive atropelando áreas como terras indígenas que estavam em processo de demarcação há anos.
Segundo o secretário, que é ex-presidente da União Democrática Ruralista (UDR) e defensor dos pleitos ruralistas, Maia “ignora o que foi acordado entre as lideranças” de partidos e governadores e “está segurando a votação injustificadamente.”
“É um uso político”, disse. “Caso essa MP caduque, isso vai mostrar que é a minoria é que está mandando (no Congresso)”, completa.
Maia respondeu que não conhece Nabhan Garcia, mas lembrou que o secretário prometeu, ainda durante a campanha de Bolsonaro e com o apoio do então candidato, atuar para que o governo apoiasse a anistia de dívidas estimadas em R$ 17 bilhões contraídas pelo agronegócio com o Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural), o que acabou não ocorrendo por receio de incorrer em crime de responsabilidade fiscal. “Não sei quem é, mas pelo jeito é mentiroso”, disse o presidente da Câmara.
Editada em dezembro do ano passado, a MP 910 já foi usada por cerca de mil posseiros, que conseguiram regularizar a situação das terras que ocupam. Mesmo que a medida venha a caducar, esses terão seus direitos garantidos. O presidente da Frente Parlamentar do Meio Ambiente, Rodrigo Agostinho (PSB-SP), afirma que ainda não há acordo para votar a MP. “O texto melhorou, mas falta coisa para sair acordo”, disse.
Segundo Agostinho, está em jogo a regularização de grandes grilagens na Amazônia. “Já tivemos grande conquistas com o relator, mas o texto ainda permite grilar e regularizar terras públicas sem vistoria qualquer. Isso equivale a 1.650 hectares na Amazônia. Isso está incentivando muito o desmatamento de florestas públicas”, disse.
O relator, deputado Zé Silva (MG), líder do Solidariedade na Câmara, diz que o consenso está “bastante adiantado”.
Na quinta-feira, após reunião com Nabhan no Palácio do Alvorada, Bolsonaro usou as redes sociais para pedir apoio à aprovação da MP. “Colocá-la em votação, e não deixá-la caducar, é um compromisso com a dignidade desses produtores (rurais) e com o desenvolvimento do nosso Brasil”, escreveu o presidente.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Arena FAIP recebe cinco partidas com entrada gratuita no fim de semana (Foto: Divulgação) As…
Termelétricas não serão ativadas, por enquanto (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil) A Agência Nacional de Energia…
Dois adolescentes foram apreendidos em flagrante pela Polícia Militar na madrugada deste sábado (28), suspeitos…
Um homem de 38 anos foi preso em flagrante na noite de sexta-feira (27) após…
Entorpecentes apreendidos pela Polícia Civil com irmãos (Foto: Divulgação/Polícia Civil) Dois irmãos, de 23 e…
Apresentação do relatório na Comissão (Foto: Lula Marques/Agência Brasil) O relatório final da Comissão Parlamentar…
This website uses cookies.