Marília e região

Moradores fazem abaixo-assinado e recorrem ao MP por obras na Yusaburo Sasazaki

Avenida Yasaburo Sasazaki é alvo de pedido de moradores (Foto: Divulgação)

Moradores dos bairros Terra Verde e Terras de São Paulo avaliam intensificar as cobranças e buscam amparo legal junto à Procuradoria e ao Legislativo para que o poder público promova a reforma da avenida Yusaburo Sasazaki.

A comunidade, que se organizou por meio de uma associação de moradores para formalizar os pedidos e realizou abaixo-assinados, afirma que a situação da via é insustentável e cobra uma solução para o impasse contratual que, segundo os relatos, impede a realização das melhorias.

Quem transita diariamente pela avenida Yusaburo Sasazaki relata dificuldades recorrentes. Moradores e comerciantes da região apontam problemas como buracos, ausência de asfalto em alguns trechos, acúmulo de areia e iluminação pública insuficiente.

Avenida fica alagada quando chove (Foto: Divulgação)

A via recebe tráfego intenso de caminhões devido às empresas instaladas no entorno e apresenta pontos considerados críticos. Segundo o morador Magno Siqueira de Faria, há buracos de grandes proporções em determinados trechos da avenida.

“Nessa avenida já teve buracos muito grandes, que até os caminhões tiveram dificuldade de passar. Sem exagero, buracos que cabiam até minha moto dentro. Até o momento não houve melhorias. Desde quando eu mudei para o bairro houve apenas uma tentativa de tirar a terra, mas na primeira chuva já voltou ao que era. Tem um sério problema ali, porque a terra vai até a parte que está asfaltada e cobre a rua toda de areia”, explicou Faria.

Ele utiliza motocicleta para trabalhar e relatou já ter sofrido queda em razão da areia acumulada na pista, o que dificulta o tráfego de veículos leves e pesados.

“A areia escorre com a chuva e fica tão alta, que desequilibra a moto. Já houve até ônibus urbano atolado, caminhão atolado. Então eu acho que precisa de uma séria atenção e cuidar melhor dessa parte da avenida que não está asfaltada. Tem esse conflito com as empresas, mas os moradores não têm culpa desse conflito”, afirmou.

O morador também disse ter acompanhado uma entrevista do prefeito Vinicius Camarinha (PSDB), na qual ele teria afirmado que a reforma não poderia ser incluída no orçamento municipal, e cobrou um posicionamento sobre alternativas para atender a população.

Moradores reclamam das condições da avenida (Foto: Divulgação)

“O prefeito deu uma entrevista falando que não tem como colocar isso no orçamento da Prefeitura e fim. Então ele vai deixar como está? Pois ele não falou sobre nenhuma solução. Eu concordo sobre a Prefeitura não pagar, mas ele precisa então dar um jeito de fazer as empresas pagarem. Precisa fazer alguma coisa além da conversa, pois estamos desamparados ali para uma coisa básica”, disse.

Alex Abatti, morador de um bairro próximo, avalia que o problema vai além do desconforto diário.

“Quem passa diariamente pela avenida Yusaburo Sasazaki convive com buracos, falta de asfalto, areia acumulada na pista e, principalmente, ausência de iluminação. Isso não é só desconforto, é risco constante de acidentes e insegurança. A situação se arrasta há anos sem fiscalização efetiva, e quem precisa usar a via todos os dias acaba pagando essa conta. Esperamos que o prefeito ou os responsáveis cobrem o cumprimento dos contratos de forma imediata”, afirmou.

Além dos riscos à segurança, moradores relatam prejuízos financeiros e dificuldades logísticas. Veículos como ônibus urbanos e ambulâncias já teriam ficado atolados em trechos de terra e lama. A falta de iluminação pública também é apontada como um dos principais problemas.

Diego Moreira afirmou que diversas tentativas de solucionar a situação já foram feitas, sem resultados concretos até o momento.

“Já tentamos buscar soluções de várias formas, através de vereadores, através de Procuradoria. Já tentamos contato com o prefeito de várias formas. Então fizemos um abaixo-assinado e também uma associação de moradores. Nós temos uma associação de moradores para poder ter uma legitimidade maior, para levar esse anseio dos moradores. O que a gente vê realmente é um empurra-empurra”, disse.

Segundo os moradores, a indefinição é agravada pelo conflito sobre a responsabilidade pela manutenção da via. De acordo com os relatos dos moradores, a Prefeitura sustenta que a infraestrutura é de responsabilidade das empresas da região, com base em cláusulas contratuais de doação de terrenos que preveem a contrapartida.

Diego Moreira argumenta que, mesmo nesses casos, caberia ao município fiscalizar o cumprimento dos contratos ou assumir a execução da obra.

“Qual é a justificativa deles? Que é a responsabilidade da empresa. Mas não, a responsável não é só a empresa. Quem fez o contrato com a empresa? Não são os moradores, é a Prefeitura. Se a Prefeitura fez esse contrato com a empresa e jogou essa responsabilidade de uma infraestrutura para uma empresa privada, a Prefeitura é responsável também. Ela pode ser uma responsável solidária ou subsidiária, mas ela é responsável”, afirmou.

A comerciante Gabriela Fonseca Balbino Peverari, proprietária de uma padaria na região, relatou preocupação com a segurança dos funcionários, principalmente os que trabalham no período noturno.

“Funcionários do período da noite têm que ir até a avenida República para pegar ônibus. Eles passam por aquele escuro todo dia. Quando chove o local fica sem condições de transitar a pé”, disse.

Sem respostas consideradas efetivas, a comunidade passou a buscar apoio junto à Câmara Municipal e ao Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP). A preocupação aumenta com a entrega de novas casas populares na região, que deve ampliar o bairro Terras de São Paulo, sem que, segundo os moradores, haja adequação da infraestrutura viária.

“Estão querendo aumentar a quantidade de casas, ampliar o bairro, só que sem infraestrutura nenhuma”, afirmou um morador.

OUTRO LADO

O Marília Notícia entrou em contato com a Prefeitura de Marília, que recentemente realizou intervenções na avenida Yusaburo Sasazaki, para questionar quais medidas concretas e definitivas serão adotadas para solucionar a situação.

Até o fechamento deste texto, não houve resposta. Caso haja manifestação, o conteúdo será atualizado.

Alcyr Netto

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