Polícia

Moradora de SP é condenada por golpe do falso sequestro que ‘torturou’ idosa em Tupã

Uma cuidadora de idosos residente em Itaquera, zona leste de São Paulo, foi condenada pela Vara Criminal de Tupã por participar de um esquema de extorsão no chamado golpe do falso sequestro. A vítima foi uma idosa de Tupã, que entregou mais de R$ 12 mil, entre joias e dinheiro, para a quadrilha que operava por telefone.

A sentença publicada na quinta-feira (22) e a investigação da Polícia Civil de Tupã foram consideradas exemplares, uma vez que esse tipo de crime é de difícil apuração e punição.

A ré, identificada como Kauany Briene Santos Ferreira, foi considerada culpada pelo crime de extorsão, previsto no artigo 158, §1º, do Código Penal. De acordo com o processo, ela agiu em conjunto com terceiros ainda não identificados.

PESADELO

A vítima recebeu uma ligação – com um interlocutor masculino – que fingiu ter sequestrado seu filho, exigindo dinheiro em troca da liberdade dele.

Após horas de torturas psicológicas durante a madrugada, a idosa, que não sabia realizar transferências via Pix, foi orientada a entregar dinheiro e objetos de valor a uma pessoa que buscaria os itens em sua casa.

Pela manhã, uma mulher desconhecida foi até a residência da vítima e levou um pacote com R$ 8 mil em joias e R$ 3,2 mil em dinheiro. A autora enviou os objetos para um endereço ligado a Kauany, via Correios, em São Paulo. Em troca, a moradora de Tupã recebeu o valor de R$ 1,1 mil. O dinheiro foi pago por transferência Pix.

INVESTIGAÇÃO

A polícia chegou ao mototaxista que levou a mulher tupãense à casa da vítima. A moradora envolvida sofre de graves transtornos psíquicos e é socialmente vulnerável. Não foi confirmado que ela tivesse conhecimento do conteúdo do pacote, tendo sido envolvida por um amigo em comum, não identificado.

Pelo rastro da tupãense usada como “mula”, a polícia chegou a Kauany depois de descobrir o endereço da remessa em Itaquera e confirmar que a paulistana havia feito o pagamento pela encomenda.

A ré negou qualquer envolvimento direto no crime, alegando ganhar a vida como cuidadora. Ela disse que apenas fez as transações para terceiros que não quis identificar, mas sem saber da extorsão. Apesar da defesa, o juiz considerou as provas robustas e suficientes para condenação.

Kauany foi sentenciada a oito anos e três meses de prisão, sem direito a substituição de penas alternativas, devido à gravidade do crime. Ela terá que cumprir pena em regime inicial fechado, mas pode recorrer da decisão.

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Carlos Rodrigues

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