Marília

Moradias do MCMV são alugadas de forma irregular

MN apurou que vários imóveis já estão alugados ou foram vendidos de forma ilegal por terceiros.

Casos de aluguel e comércio irregulares de moradias do MCMV (Minha Casa Minha Vida), entregues recentemente em Padre Nóbrega, zona Norte da cidade, foram confirmados pelo Marília Notícia em conversa com dois “corretores”.

A reportagem se passou por um suposto cliente interessado no negócio.

No empreendimento Vida Nova Maracá, por exemplo, um homem identificado como Júnior, cobra R$ 35 mil por uma casa. O comprador passaria a pagar as parcelas de aproximadamente R$ 500 no nome de quem foi beneficiado pelo programa.

A mesma pessoa oferece outra residência nos mesmos modelos de negócio no bairro vizinho, o Montana. “Só tem que fazer o contrato de gaveta. Ninguém nunca morou no imóvel, está novinho”, afirma o corretor.

Outro corretor identificado como Passarinho cobra R$ 30 mil e diz que aceita um carro no negócio. O valor seria pelo “direito” a morar no local e também é preciso assumir as parcelas. O saldo restante para pagar é de R$ 80 mil.

A reportagem apurou que também existem casos de aluguel das casas por valores de aproximadamente R$ 500. A apuração indicou que vários imóveis já estão alugados ou foram vendidos.

Todos os “corretores” procurados pela reportagem garantem que não existem irregularidades nas transações. As ofertas podem ser encontradas por meio do “boca-a-boca”, em cartazes fixados em postes na região e até em sites especializados – clique [aqui] e [aqui].

O projeto do Residencial Montana, lançado no final de 2015, tem ao todo 1.039 casas. No caso do Vida Nova Maracá I e II, totalizam 1.371 e 832 moradias. Todas elas financiadas pelo programa do Governo Federal.

Outro lado

A reportagem procurou a Caixa por meio da assessoria de imprensa para comentar o assunto, mas não houve retorno.

Funcionários da instituição bancária, porém, esclareceram de forma extraoficial que a venda de imóveis da faixa 2 do Minha Casa Minha Vida só pode ser feita com a quitação do imóvel. Quem compra, obrigatoriamente perde o subsídio que caracteriza o programa.

Caso contratos de gaveta sejam descobertos, pode ser aberta ação para retomada da habitação. O mesmo acontece no caso dos alugueis.

Leonardo Moreno

Leonardo Moreno é jornalista e atualmente cursa Ciências Sociais. Vê o jornalismo de dados como uma importante ferramenta para contar histórias, analisar a sociedade e investigar o poder público e seus agentes.

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