A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, pediu aos técnicos da pasta que reformulem a nota sobre o guia alimentar do País. O documento, que causou polêmica na semana passada, pedia ao Ministério da Saúde que removesse trechos com críticas aos alimentos industrializados. A decisão de revisar o conteúdo foi confirmada ao Estadão pela própria ministra.
Na nota, o Mapa classificava o Guia Alimentar Para a População Brasileira como um dos piores do mundo, mas não citava fontes ou evidências científicas como base dessa conclusão. Tereza Cristina devolveu o documento e pediu que seja refeito.
O guia, elaborado pela equipe técnica do Ministério da Saúde – e válido desde 2014, quando a edição mais atualizada foi publicada -, traz diretrizes sobre alimentação adequada e saudável para a população brasileira, com recomendações que privilegiam alimentos in natura ou pouco processados.
Nesta semana, dois cientistas das Universidades de Oxford (Reino Unido) e Harvard (Estados Unidos), autores de um estudo que analisou guias alimentares de dezenas de países, acusaram a Associação Brasileira de Indústria de Alimentos (Abia) de desonestidade, por, segundo eles, usar os resultados de sua pesquisa de forma distorcida para atacar o guia brasileiro.
A Abia endossou parte das críticas do Ministério da Agricultura ao documento e usou como uma das evidências da suposta falta de qualidade das diretrizes brasileiras um estudo internacional publicado neste ano no periódico científico The British Medical Journal (BMJ), um dos mais importantes do mundo, que avaliou as consequências da adoção de guias alimentares nacionais na saúde e no meio ambiente.
A pesquisa foi citada em posicionamento oficial da Abia, que pede a revisão do guia. Ao saberem que a pesquisa estava sendo usada para criticar o guia brasileiro, os cientistas divulgaram uma nota de esclarecimento em que afirmam que a declaração da Abia faz uma interpretação “grosseira” e um mau uso da publicação científica de autoria deles.
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