Promotor Isauro Pigozzi Filho do MP-SP (Foto: Divulgação)
O Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) instaurou um inquérito civil para investigar a vacinação contra a Covid-19 em Marília, tanto por parte da Prefeitura, quanto do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Marília (HC/Famema).
A portaria de abertura foi assinada pelo promotor Isauro Pigozzi Filho nesta terça-feira (16) após uma série de supostas ilegalidades chegarem a seu conhecimento.
Um Procedimento Administrativo de Acompanhamento referente à vacinação no município já vinha sendo conduzido pelo promotor, como mostrou o Marília Notícia recentemente.
“Não obstante a existência do procedimento de acompanhamento instaurado, necessário se faz apurar, em procedimento próprio de investigação, algumas notícias de irregularidades na distribuição e aplicação das vacinas no município de Marília, tanto na gestão municipal, quanto na gestão estadual”, escreveu Isauro nesta terça-feira.
Ele elencou sete denúncias recebidas por e-mail referentes ao assunto – veja abaixo. Algumas delas inclusive já foram tema de matérias do MN.
Parte das denúncias foi recebida pelo Ministério Público Federal e encaminhada para a promotoria estadual.
Isauro quer saber, entre outras coisas, quais funcionários já foram vacinados em algumas unidades de saúde, qual o prazo para imunização daqueles trabalhadores da linha de frente que eventualmente ainda não foram, quais os critérios adotados no plano municipal, e se os grupos prioritários estão sendo respeitados, além de pedir detalhes sobre a aplicação de doses em pessoas supostamente de fora de tais grupos.
Após notificação, Prefeitura e HC/Famema terão o prazo de 10 dias para prestarem esclarecimentos sobre os casos apresentados na portaria de abertura do inquérito, que pode acabar sendo arquivado ou resultar em uma ação civil pública, caso irregularidades sejam confirmadas.
Cartão de vacina publicado em rede social; empresário diz que foi ‘brincadeira’, mas MP irá investigar (Foto: Divulgação)
Denúncias
Veja a portaria na íntegra, [clique aqui].
O MN procurou a Prefeitura de Marília e também o Hospital das Clínicas. Veja, em nota, como as instituições se manifestaram, em relação à apuração.
“A Prefeitura de Marília informa, através da Secretaria da Saúde, que todas as pessoas vacinadas até o presente momento foram dos grupos prioritários.
Todas as vacinas foram aplicadas mediante apresentação de documentos que comprovam que a pessoa pertence aos referidos grupos.
Se a pessoa vacinada fez uso de documentação falsa poderá responder criminalmente, conforme previsão contida no Código Penal, mediante devida investigação policial.”
“O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Marília – HCFAMEMA informa que estará respondendo o inquérito ao Ministério Público nos autos do processo, quando for requisitado.
Devido a diversos questionamentos sobre a condução da Instituição no processo de vacinação, publicamos uma matéria explicativa sobre o assunto.
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