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Michael Douglas é Benjamin Franklin em série que retrata sua missão na corte francesa

Quando Michael Douglas foi convidado para estrelar e produzir a minissérie “Franklin”, ele primeiro se lembrou de suas aulas de história na escola e depois foi dar uma olhada numa nota de US$ 100. Nela está estampado seu personagem, Benjamin Franklin, um dos fundadores dos Estados Unidos.

“Não vi nenhuma semelhança”, diz o ator de 79 anos, se referindo à calvície e ao peso acentuado de Franklin, um prolífico escritor, cientista e diplomata que liderou diversos papéis vitais na criação do país.

“Ben era um homem renascentista. Foi um dos melhores escritores do século 18 e só frequentou dois anos de escola”, afirma Douglas, durante um evento de lançamento da série que chegou à Apple TV+ nesta sexta-feira.

“Franklin” se passa longe dos Estados Unidos, nas cortes empetecadas de pó-de-arroz e vestidos pomposos da França, mais de uma década antes da Revolução Francesa. É um baile de trejeitos aristocráticos, pontuada pela chegada dos estrangeiros Franklin e seu jovem neto Temple, interpretado por Noah Jupe.

A tarefa da dupla é convencer os franceses a apoiar financeira e militarmente a revolução americana contra a Grã-Bretanha. Franklin, com 70 anos, chega ao país como uma celebridade, famoso por conta de suas invenções com eletricidade. O ano é 1776, quando as forças americanas estão prestes a entrar em colapso, com menos de 3.000 soldados.

“Não havia nenhum plano. Não sei bem o que eles estavam pensando ao declarar independência porque não tínhamos dinheiro nem exército de verdade, nem navios, nem nada”, diz Douglas. “Ben é enviado porque ele é conhecido. E você pensa, vamos começar uma nova democracia pedindo ajuda para uma monarquia!”

A estada de Franklin na França durou mais de oito anos, com boas doses de espionagem, certa humilhação pela pouca afinidade com a língua francesa, e eventuais casos amorosos, com destaque para a amizade com Madame Brillon – vivida pela francesa Ludivine Sagnier – , pianista e compositora que organizava salões culturais.

“Franklin era um sedutor de homens e mulheres. Ele tinha um charme e podia conversar sobre muitos assuntos. E ele amava as mulheres. Eu não gostaria nada de ter sido casado com ele”, diz Douglas. “Ele tinha um brilho nos olhos.”

Franklin era ambicioso e tinha relações complicadas com sua família, incluindo um filho que ele havia abandonado na prisão por ser leal à coroa britânica e uma filha com a qual não tinha contato. “Só porque alguém é talentoso não significa que seja uma pessoa adorável. Ele era um tanto narcisista e tinha um temperamento explosivo. E podia ser muito teimoso”, afirma o ator.

Para ficar mais parecido com o personagem, Douglas chegou a fazer testes com maquiagem. No entanto, as duas horas e meia de trabalho diário, além dos 45 minutos para tirar tudo, não valiam a pena para uma produção de oito episódios. “Nós conversamos e achamos melhor deixar um pouco mais da minha personalidade para ter o apoio do público.”

Entre o desfile interminável de perucas extravagantes, Franklin se destaca pelo rosto bronzeado e madeixas compridas. Às vezes, ele exibe seu próprio chapéu, um gorrinho feito de pele de marta, causando curiosidade dos franceses.

O ator se apoiou num inglês de sotaque “lento e claro” para viver o personagem, nascido em Boston e que passou a vida na Filadélfia. “Sempre fico nervoso com sotaques, não sou bom como minha mulher Catherine [Zeta-Jones], que é britânica e galesa.” E seu francês? “Pas mal”, arrisca o ator.

Já o ator Noah Jupe viveu como seu personagem, aprimorando o francês à medida que se apaixona pelo país. Na história real, ele permanece em Paris após o retorno do avô aos Estados Unidos.

Douglas é ganhador de duas estatuetas do Oscar, primeiro como produtor de “Um Estranho no Ninho”, de 1975, e depois como ator em “Wall Street”, de 1987. Ele falou que nunca havia feito um papel histórico e que isso foi uma das razões para topar “Franklin”, gravado na França e com cenas em Versalhes.

“Nos últimos anos, passei a riscar coisas da minha lista”, diz, explicando que também nunca havia feito comédia até a série da Netflix “O Método Kominsky”, nem atuado com tela verde de efeitos especiais até o filme da Marvel “Homem-Formiga”.

“Franklin” é baseado no livro “A Great Improvisation”, ou uma grande improvisação, sem edição brasileira, de Stacy Schiff, embora Douglas tenha se apegado mais à biografia de Franklin escrita por Walter Isaacson.

No fim, o que mais impressionou Douglas foram os paralelos constantes com a realidade. “Pudemos ver o quão vulnerável e frágil é uma democracia, e como ela deve ser protegida.”

POR FERNANDA EZABELLA

Folhapress

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