Polícia

Medidas protetivas expedidas em Marília aumentam quase 40%

Uma cuidadora de crianças especiais de 31 anos viveu um verdadeiro inferno enquanto estava grávida de seu segundo filho.

“Meu ex-companheiro era muito violento e eu estava grávida. Ele me bateu várias vezes. Não tive como me defender. Tenho medida protetiva que determina que ele deve ficar 200 metros longe de mim. Hoje ele está preso”, relatou ao Marília Notícia.

De acordo com a cuidadora, as agressões aconteceram durante toda a gravidez. A mulher contou que os dois ficaram juntos por 11 anos e quando ela engravidou pela segunda vez tudo mudou.

“Minha vida foi uma tortura total com esse homem. Ele chegou a colocar um revólver na minha cabeça e me ameaçava dia e noite”, disse a cuidadora.

Em junho fará dois anos que o ex está preso, mas a vítima afirma que jamais vai esquecer tudo o que passou.

“Foi uma lição pra mim. Estou tentando refazer minha vida, mas tenho medo de quando ele sair de lá [da prisão] e ver que estou com outra pessoa”, finalizou.

Números

Histórias como a relatada acima se repetem com muita frequência. O assunto voltou a ser debatido na cidade após o feminicídio de Elisabete Aparecida Porta Raimundo, de 35 anos, em 27 de janeiro, assassinada pelo ex-marido Cristiano Rodrigo Raimundo, de 40 anos. 

Elisabete tinha uma medida protetiva contra o autor por conta de ameaças e violência doméstica – o que não garantiu a segurança dela. No dia 15 de janeiro, no entanto, a vítima chegou a registrar um boletim de ocorrência contra Cristiano por descumprimento da determinação judicial que impedia sua aproximação.

O número de medidas protetivas expedidas em Marília no ano passado aumentou 38,8% em relação a 2018.

De acordo com dados enviados pelo Tribunal de Justiça (TJ) do Estado de São Paulo a pedido do MN, em 2019 foram 1.156 medidas enquanto o ano anterior registrou 833.

Por se tratar de medida de urgência a vítima pode solicitá-la por meio da autoridade policial – ou do Ministério Público – que vai encaminhar o pedido ao juiz. A lei prevê que a autoridade judicial decida sobre o pedido no prazo de 48 horas.

A  legislação prevê também a possibilidade de afastamento do agressor do lar, proibição de contato com a vítima e outras medidas que assegurem a proteção da mulher. Por exemplo, encaminhá-la junto com seus dependentes a um programa oficial de proteção.

Elisabete foi morta pelo ex-marido Cristiano (Foto: Arquivo Pessoal)

Medida suspensa

Uma auxiliar administrativa de 29 anos também passou por maus momentos com o ex-marido após a separação. A vítima chegou a conseguir a medida protetiva, mas depois de três meses o recurso foi suspenso por outro juiz, para quem o acusado não era tão ameaçador assim.

Em entrevista ao MN, a auxiliar administrativa contou que foi casada durante cinco anos e enquanto namorava o ex, a relação era completamente diferente. Após o casamento, no entanto, ele se mostrou uma pessoa possessiva e manipuladora.

O homem fez a mulher cancelar a conta no banco e ficar só com a dele, assim conseguia controlar todos os seus gastos. Tudo que eles compraram, carro, moto, casa, ficou no nome dele.

“Quis trocar de carro e financiei no nome da minha mãe, só que o carro teve que ficar no nome dela. Foi quando meu ex teve seu primeiro surto. Depois ele começou a querer me levar e me buscar no trabalho. Não me deixava mais dirigir. Nem ir no cabeleireiro eu podia sem ele me levar e buscar. Muita gente achava fofo, que ele queria ficar perto, mas foi um inferno”, contou.

A auxiliar se separou em julho do ano passado e quatro dias depois de assinarem o divórcio o ex já colocou outra mulher para morar com ele, porém mesmo assim continuava perseguindo a vítima.

Ele ia atrás dela no trabalho e ficava passando de moto em frente de sua casa. O homem chegou a mandar uma mensagem dizendo que a ex era uma vagabunda e acabaria com ela. O homem teria inclusive invadido as contas de e-mail e WhatsApp da vítima.

Apesar do abandono da Justiça, as ameaças se encerraram tempos depois, com a intervenção da família da vítima e de seu atual namorado.

“Sinceramente ainda não consegui superar tudo que aconteceu, tenho muitos pesadelos e evito lugares com medo de encontrar ele”, finalizou.

Daniela Casale

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