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Medicamento nº 1 para problemas cardíacos é avaliado

Há dois anos, pesquisadores do Instituto de Fisiologia da Universidade de São Paulo (USP) em parceria com o Instituto de Ciência e Saúde do Estado de São Paulo decidiram avaliar se o uso do teste farmacogenético do Clopidogrel era realmente necessário para pacientes com problemas cardíacos e que tinham indicação de uso dessa medicação.

O Clopidogrel é um dos principais casos de sucesso do mercado de medicamentos genéricos. Desde que o produto referência (Plavix, da Sanofi) perdeu sua patente, em 2006, o consumo do medicamento em volume cresceu 565% em 10 anos, de acordo com os dados IMS Health, instituto que audita as vendas do setor farmacêutico.

Segundo Elia Ascer, professor de cardiofisiologia da USP e líder do estudo, a ideia surgiu porque ele começou a perceber que alguns pacientes que usavam o medicamento apresentavam complicações, como tromboses, mesmo usando a droga na dosagem recomendada. Assim, a equipe recrutou pacientes com doenças coronarianas, especialmente aqueles que tinham feito uma angioplastia com uso do stent (dispositivo que mantém as artérias desentupidas), para análise genética por meio do kit caseiro – em que o paciente coleta amostras de DNA raspando por dentro da bochecha e envia para análise técnica.

Ao todo, 900 pacientes foram selecionados e realizaram o teste farmacogenético para avaliar o metabolismo do Clopidogrel no organismo, por meio da análise da enzima CYP2C19. Os resultados surpreenderam o pesquisador: 39% dos pacientes que usavam essa medicação tinham o metabolismo lento ou intermediário, o que significa que teriam ou de alterar a dosagem do remédio ou trocar o medicamento para que o tratamento fosse realmente eficaz.

“O Clopidogrel é um medicamento amplamente utilizado em cardiologia. É basicamente o remédio de primeira opção. O teste farmacogenético é fundamental para evitar que as pessoas tenham problemas durante seu tratamento. Ainda custa caro, mas quando todo mundo fizer, a tendência é que preço caia”, afirmou o professor Ascer.

O empresário Adriano Afonso Soeiro, de 70 anos, sofreu um AVC no início deste ano e após a realização de uma série de exames, descobriu que estava com artérias entupidas e precisou colocar 4 stents. Recebeu a indicação do uso do Clopidogrel e decidiu fazer o teste farmacogenético para saber se a medicação seria eficaz para o seu organismo, pois a medicação que ele usava anteriormente não funcionou corretamente.

O exame foi feito em casa, por meio da raspagem da parte interna das bochechas. O resultado demonstrou que ele precisa tomar o Clopidogrel duas vezes por dia para que o efeito no seu organismo seja adequado ao tratamento. “Foi tudo muito simples e eu estou muito bem. Retomei minhas atividades normalmente, inclusive faço academia. Vida normal”, afirmou.

Marília Notícia

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