Marília

Marilienses explicam e desmistificam o Ano Novo Chinês

Thais Lacerda pesquisa a China desde 2011  (Foto: Arquivo Pessoal)

São 15 dias de festividades, incluindo a “semana dourada”. É quando o país tem seu grande feriado. Celebrado na grande nação asiática e também pelos imigrantes mundo afora, nesta terça-feira (1º), o Ano Novo Chinês tem as peculiaridades de uma cultura milenar, cada vez mais influente no planeta.

Empresas que mantêm negócios com a China já se programaram para a paralisação de muitas fábricas e atividades governamentais, que impactam no comércio exterior. O planejamento impede que as cadeias de suprimentos sejam quebradas. O povo chinês para por sete dias: esse ano, entre 31 de janeiro e 6 de fevereiro.

PERSPECTIVA

Como todo brasileiro aprendeu na escola – baseado no calendário gregoriano – um ano é o tempo que a Terra precisa para dar uma volta completa ao redor do Sol, ou seja, aproximadamente 365 dias e seis horas. A cada quatro anos, um ano bissexto garante o ajuste na contagem do tempo.

Já o calendário chinês combina o ciclo solar com os ciclos lunares, por isso, é classificado como lunissolar. São aproximadamente 354 dias, tempo para a lua alcançar 12 ciclos completos.

Desta forma, o Ano Novo na China é celebrado na primeira noite de lua nova, após o solstício de inverno – 21 de dezembro. Com isso, a data varia entre o fim de janeiro e início de fevereiro.

HORÓSCOPO

Cada ano é associado a um dos 12 animais do horóscopo chinês. O iniciado em 2022 [para o ocidente e 4.720 para os chineses] será o Ano do Tigre. Segundo a tradição local, quem nasce sob a regência do felino asiático é corajoso, competitivo e forte.

Uma lenda antiga com origem do budismo diz que, em uma ocasião, Buda convidou os animais para uma festividade. Somente 12 deles teriam se apresentado.

Para homenageá-los, os anos passaram a ser conhecidos pela ordem de chegada de cada animal: Rato, Boi, Tigre, Coelho, Dragão, Serpente, Cavalo, Cabra, Macaco, Galo, Cão e Javali.

No conhecimento da astrologia oriental chinesa, cada animal representa aspectos da personalidade humana dependendo do ano de nascimento (veja tabela abaixo).

Festival das lanternas chamam a atenção de todo o mundo (Foto: Divulgação)

PESQUISA

Desde 2011, a professora Thais Lacerda, doutora em Ciências Sociais na linha de Relações Internacionais e Desenvolvimento da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Marília, pesquisa a cultura chinesa.

A docente atua ainda em consultorias para empresas, onde prepara trabalhadores chineses e brasileiros para relações empresariais interculturais.

Nestas oportunidades, a professora favorece a compreensão de aspectos culturais dos diferentes países, uma ajuda preciosa para executivos, que buscam o melhor dos dois mundos.

Nas duas viagens como pesquisadora que fez à China, Thais acompanhou diversas manifestações culturais. Em uma delas, acompanhou o rito de passagem de ano no país asiático.

“No dia de Ano Novo, as famílias celebram de forma mais reservada, privativa, com mesa farta, pratos mais tradicionais. Nos dias seguintes, em cada data há uma tradição como, por exemplo, visitar uma pessoa que não se vê há muito tempo”, explica.

Conforme Thais, no 15º dia acontece o festival das lanternas, uma festa de luzes que produz belas imagens. “É parte de uma cultura milenar, com muito significado. Cada ação, tradição, tem um significado: a renovação, a prosperidade, a boa sorte. É um tempo de expectativas”, conta.

CONVIDADO DE HONRA

O mariliense Caleb Guerra, de 28 anos, – formado em letras e literatura em mandarim na China – viveu no país asiático por nove anos e regressou ao Brasil no início da pandemia.

Ele conta que recebeu o convite de uma família chinesa para compartilhar uma festa de Ano Novo, o que pode ser considerada uma grande honra a um estrangeiro.

“Não existem essas festas públicas de virada do ano. É um evento para uma experiência mais reservada, familiar. Natal e Réveillon são dias normais de aula e de trabalho. Primeira semana de janeiro é, geralmente, a de provas. O recesso começa só na metade do mês”, lembra.

A data festiva – ou o período – é uma oportunidade para que os brasileiros possam conhecer melhor a cultura chinesa e se despir de preconceitos e estigmas.

Confira os períodos do horóscopo chinês:

(Arte: Divulgação)

 

Carlos Rodrigues

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