Estabelecimentos com placas de ‘Aluga’ (Foto: Carlos Rodrigues/Marília Notícia)
Após mais um ano de alta expressiva do Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), a chamada inflação do aluguel, muitos proprietários e locatários de Marília têm aceitado negociar o reajuste para renovações contratuais.
Em 12 meses, o IGP-M acumula alta de 17,78% e quase 90% dos donos de imóveis locados têm aceitado negociar um índice mais baixo – muitas vezes até mesmo menor do que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que está em 10,74% no mesmo período.
A informação sobre a ampla adesão à negociação é do proprietário da Moradas Imóveis, Edson Moreira, um dos maiores conhecedores do mercado imobiliário mariliense.
“É melhor optar por um reajuste menor do que perder o inquilino, principalmente se ele for bom pagador”, afirma o especialista. “Quem bate o pé pelo reajuste com base no IGP-M pode perder o locatário”.
Conseguir um novo inquilino, principalmente, quando se trata de imóveis comerciais, não anda tão fácil quanto nos últimos anos. Uma volta rápida pelo Centro deixa claro a elevada quantidade de prédios com a placa de aluga-se.
Segundo o proprietário da Moradas Imóveis, desde 2019, a quantidade de pontos comerciais disponíveis para locação aumentou em aproximadamente 35% em Marília. “Ainda é um reflexo da crise provocada pela pandemia, que levou ao fechamento de muitos estabelecimentos”.
Para Moreira, assim como aconteceu em 2020, quando o IGP-M ficou em 23,14%, há uma distorção no índice tradicionalmente utilizado para reajustar o valor do aluguel. Por isso, é preciso ter bom senso por parte dos locatários.
“O IGP-M é influenciado, entre outros, pelo preço de algumas commodities, como o ferro, cujo preço disparou no mercado internacional”, detalha o especialista no mercado imobiliário.
De acordo com o especialista, “hoje em dia ninguém aceita pagar mais de 0,5% do valor do imóvel de aluguel e, com a aplicação do reajuste pelo IGP-M, essa barreira acaba sendo rompida em muitos casos”.
Para Edson, é melhor garantir uma receita de 6% ao ano em relação ao valor do imóvel e se beneficiar no futuro da valorização do que perder parte da renda deixando-o vazio, ainda que por alguns meses.
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