Marília

Marília tem julho mais chuvoso dos últimos 10 anos

Julho de 2026 registrou o maior índice de chuvas dos últimos 10 anos (Foto: Arquivo/Marília Notícia)

Julho costuma ser um dos meses mais críticos para as queimadas em Marília. Em períodos de estiagem prolongada, a fumaça dos incêndios em áreas urbanas e rurais encobre a cidade, piora a qualidade do ar e pode agravar problemas respiratórios. Em 2026, porém, o cenário foi diferente.

Dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mostram que Marília acumulou 109,2 milímetros de chuva em julho, o maior volume registrado para o mês nos últimos 10 anos. O índice ficou bastante acima dos demais registros e mudou o cenário normalmente observado nesta época do ano.

Nos anos anteriores, julho teve pouca chuva. Em 2017, foram apenas 0,2 milímetro. Em 2018, 0,6 milímetro; em 2019, 27,8 milímetros; em 2020, 7 milímetros; em 2021, 3,2 milímetros; em 2022, 0,2 milímetro; em 2023, 0,4 milímetro; em 2024, 27,6 milímetros; e, em 2025, 11 milímetros.

O volume de 2026 é quase quatro vezes maior que o segundo maior registrado no período, de 27,8 milímetros, em 2019.

A diferença também chama a atenção quando os anos anteriores são somados. Entre 2017 e 2025, todos os meses de julho juntos registraram 78 milímetros de chuva. Só em julho de 2026, Marília recebeu 109,2 milímetros — 31,2 milímetros a mais do que o acumulado de toda a série anterior.

O efeito do cenário também pôde ser percebido na cidade. Com mais chuva e a vegetação úmida, as condições para a propagação do fogo ficaram menos favoráveis, o que ajudou a reduzir a ocorrência de queimadas e, consequentemente, a presença de fumaça.

Julho costuma concentrar ocorrências atendidas pelo Corpo de Bombeiros, principalmente em terrenos baldios, áreas de vegetação e margens de rodovias. Neste ano, porém, as chuvas frequentes ajudaram a manter essas áreas úmidas e dificultaram a propagação de focos de incêndio.

A chuva também favorece a qualidade do ar e pode reduzir os efeitos da estiagem sobre a saúde. Em períodos mais secos, a baixa umidade e a presença de fumaça podem agravar problemas respiratórios, principalmente entre crianças e idosos.

Além de diminuir o risco de incêndios, o volume de chuva ajudou a manter o solo úmido, preservar áreas de vegetação e amenizar os efeitos da baixa umidade, comum durante o inverno no interior paulista.

Alcyr Netto

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