Marília

Marília tem alta ameaça climática de seca para 2030, aponta estudo

Represa Cascata com baixo nível de água (Foto: Marília Notícia)

O Sistema de Informações e Análises sobre Impactos das Mudanças do Clima (AdaptaBrasil), plataforma do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), projeta Marília para 2030 como “risco muito alto” em ameaça climática de seca. Para o ambientalista Rodrigo Más, cidade está atrasada em serviços de captação hídrica.

Segundo o AdaptaBrasil, a situação climática em Marília pode se agravar ainda mais em 2050, se nenhuma providência for tomada. O índice de risco de impacto para seca na cidade, projetado para 2030, é de grau 0,83 (o máximo é 1), considerado um cenário de “pessimismo”, conforme os estudos do MCTI, que abrangem dados de todo o Brasil.

De acordo com Rodrigo Más, que atua no segmento de projetos ambientais, as alterações climáticas já são uma realidade presente em várias localidades da região e, principalmente, em Marília.

Incêndio registrado em vegetação às margens da SP-294 em Marília (Foto: Divulgação)

“As cidades do centro-oeste paulista precisam reorganizar suas infraestruturas urbanas e discutir o futuro das indústrias, escolas e hospitais com a sociedade civil organizada. Nosso município não investe em recursos hídricos. Vivemos no século 21 e Marília tem uma infraestrutura urbana parada no século 20. Estamos atrasados um século. Não pode faltar água para escolas e hospitais, por exemplo”, argumenta o ambientalista.

Para Más, toda captação hídrica da cidade está defasada. “O Poder Público não se preocupa com perfuração de poços e, no auge de sua expansão urbana, Marília estava no século 20. Nossa estrutura é ultrapassada. Por exemplo, esses dias me deparei com o serviço de limpeza pública terceirizado pela Prefeitura atirando galhos às margens da represa Cascata e ateando fogo. A mata verde no leito da represa foi atingida pelas chamas. Será que estamos preparados para uma seca intensa no futuro?”, questiona.

Se políticas públicas ambientais e emergenciais não forem discutidas pelo Poder Público, o ambientalista projeta um futuro caótico. “Marília e região precisam se preparar para a ameaça climática de seca e tratar os recursos hídricos com mais seriedade. Hoje, o Bosque Municipal não tem uma brigada de incêndio interna, para proteger a mata de possíveis focos de incêndio provocados por longos períodos de estiagem, sem chuva. Como as indústrias vão funcionar no futuro sem água? O próximo prefeito que assumir em janeiro de 2025 terá um desafio ambiental pela frente, entre outros problemas da cidade”, ressalta.

Segundo a assessoria do Governo Federal, a plataforma do MCTI colabora para a disseminação do conhecimento por meio da análise de informações cada vez mais integradas e atualizadas sobre o clima e os riscos de impactos no Brasil. Objetivo é garantir a acessibilidade dos principais resultados aos tomadores de decisão em todos os níveis, bem como pesquisadores, sociedade civil e setor privado.

O AdaptaBrasil é desenvolvido por meio de uma cooperação entre o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e Rede Nacional de Pesquisa e Ensino (RNP), sendo fomentado pelo MCTI. O sistema pode ser acessado aqui.

Para ambientalista, captação em Marília é do século 20 (Foto: Marília Notícia)

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Gustavo César

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