A Prefeitura de Marília reforçou as ações de prevenção e cuidado às pessoas em situação de violência autoprovocada, conforme informações encaminhadas pela Secretaria Municipal da Saúde à Câmara Municipal.
As medidas, apresentadas em resposta a requerimento da vereadora Fabiana Camarinha (Podemos), detalham o funcionamento dos núcleos técnicos da rede de atenção psicossocial, os programas de prevenção e os fluxos de atendimento em psiquiatria e psicologia.
Segundo a fonoaudióloga Fabiana Martins, responsável pelo Núcleo de Prevenção e Cuidado às Pessoas em Situação de Violência (SS-Previo), o município registrou mais de 700 casos de violências autoprovocadas entre janeiro e setembro deste ano.
Como é o atendimento
O acompanhamento é feito em conjunto com a Vigilância Epidemiológica, por meio do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), que recebe dados enviados via plataforma 1DOC, canal oficial da rede protetiva.
As equipes da Atenção Primária à Saúde (APS), em articulação com o Núcleo de Saúde Mental (NSM) e os Centros de Atenção Psicossocial (Caps Comviver e Caps Catavento), realizam busca ativa das vítimas e oferecem acompanhamento contínuo.
Entre as ações preventivas estão o monitoramento do cuidado, o apoio às equipes locais e a prevenção de recorrências, fortalecendo o vínculo entre pacientes e serviços.
O levantamento também aponta 23 casos de pessoas que consumaram ato contra a própria vida entre janeiro e outubro. Esses registros, segundo o relatório, servem como base para identificar fragilidades nos serviços da atenção primária, nas urgências (Samu e Upas) e nos atendimentos especializados, permitindo aperfeiçoar o planejamento das políticas públicas.
Cuidado psicossocial
De acordo com a terapeuta ocupacional Adriana Magali Dezotti Batista, responsável técnica pela Saúde Mental da Secretaria, o município implantou uma linha de cuidado psicossocial com classificação de risco, que organiza os fluxos de atendimento e prioriza casos graves.
A estrutura é sustentada por uma rede interligada de serviços, entre eles os Caps Comviver (adultos), Caps Catavento (infantojuvenil) e os Serviços Residenciais Terapêuticos, além de núcleos voltados à infância, adolescência e trabalhadores.
A terceira unidade do Caps está em construção na zona sul de Marília. O local será destinado ao atendimento a pacientes psiquiátricos com expediente 24h. A previsão de inauguração para julho de 2026.
Entre as ações em curso estão:
Profissionais em ação
A rede municipal de Saúde Mental conta atualmente com 28 psicólogos e cinco psiquiatras em atuação direta nos serviços públicos. A Prefeitura estuda a contratação de novos profissionais e a ampliação de horários de atendimento nos Caps, incluindo um terceiro turno até as 21h, o que depende de reforço de recursos humanos.
Os dados mais recentes da pasta indicam 2.104 encaminhamentos em psiquiatria (1.929 adultos e 185 infantojuvenis) e a previsão 4,8 mil atendimentos pelo programa “Zera Fila”, que visa reduzir a demanda reprimida acumulada nos últimos anos.
A iniciativa, lançada pelo prefeito Vinicius Camarinha (PSDB), já promoveu mutirões de consultas e reorganização de fluxos nas especialidades de psicologia e psiquiatria, diminuindo o tempo de espera e garantindo atendimento mais rápido aos casos de maior gravidade.
Monitoramento online
A gestão municipal também mantém diálogo com o Governo do Estado de São Paulo, por meio do Núcleo de Violências da Secretaria Estadual da Saúde (SES-SP), com o objetivo de ampliar o acesso à saúde mental, criar grupos de apoio psicossocial nas unidades básicas e implantar sistemas de monitoramento online dos casos.
A Prefeitura reforçou, por meio de nota da Secretaria da Saúde, que as ações seguem alinhadas ao compromisso de “promover a valorização da vida, fortalecer vínculos e garantir cuidado integral às pessoas em sofrimento psíquico”, com atenção especial aos públicos em situação de vulnerabilidade.
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