Marília voltou a provar que seu maior patrimônio é a sua gente. O trágico desaparecimento do menino João Raspante Neto, de 13 anos, mobilizou a população de uma forma raramente vista e evidenciou o espírito de união e empatia dos marilienses. Embora o desfecho tenha trazido luto à cidade, a resposta imediata da comunidade reflete uma característica profunda desse povo: a prontidão incondicional para ajudar o próximo.
O caso de João, uma criança com necessidades especiais, comoveu e mobilizou intensamente toda a região. Diante da urgência, formou-se uma verdadeira força-tarefa civil, que atuou lado a lado com bombeiros, policiais civis e equipes de resgate, como o grupo Cors.
O bombeiro civil Victor Hugo, que participou das buscas, relatou as dificuldades enfrentadas. Segundo ele, a área era de mata densa, escura e de difícil acesso, agravada pela chuva, pelo barro e pela presença de animais peçonhentos.
Mesmo diante de um cenário inóspito, a solidariedade falou mais alto. Cerca de mil pessoas se voluntariaram na operação. Amigos foram acionados durante a madrugada e levaram caminhonetes preparadas e barras de LED para iluminar a mata, recusando-se a deixar o local.
“Quando eu vi a situação, eu já senti que seria algo muito difícil. Porque era uma mata muito densa, muito fechada, muito escura, cheia de obstáculos, alguns animais peçonhentos, que a gente acabou encontrando pelo caminho. Foram horas de muita tensão pra gente. Cada passo que a gente dava dentro daquela mata era uma esperança de achar ele com vida”, disse Victor Hugo.
A mobilização popular impressionou. Moradores chegaram de bicicleta, motos de trilha e muitos foram direto do trabalho, ainda com as roupas do expediente, munidos apenas de lanternas de celular e da esperança de encontrar o menino com vida.
“A gente tinha uma determinação: enquanto não achasse ele, não voltaria para casa. Eu estimo que havia cerca de mil pessoas ajudando. A partir do momento que o pessoal via nas redes sociais, pegava seu meio de transporte e ia pra lá”, afirmou o bombeiro civil.
Luciana de Freitas Marostega, da equipe Cors, também destacou a atuação da população, descrevendo o comportamento coletivo como prestativo e colaborativo do início ao fim.
“Tinha bastante gente. A população toda colaborando, ajudando, apoiando os bombeiros, policiais que estavam lá, nós da equipe Cors. A população ajudou bastante e isso é sempre muito importante, porque cada minuto, na verdade, conta. A gente sente muito mesmo pela perda do João, mas a gente se sente com o dever cumprido de ter colaborado”, afirmou.
Um histórico de empatia e solidariedade
A solidariedade mariliense não se manifesta apenas em situações emergenciais, mas também no cotidiano. Um exemplo é Amauri Gonzaga, fundador da Organização Não Governamental (ONG) ‘Alimento Sim, Fome Não’.
Motivado pelas dificuldades que enfrentou na infância, na Vila Coimbra, quando cuidava de carros e pedia comida para ajudar a mãe e os oito irmãos, Amauri hoje se dedica a alimentar famílias carentes nos bairros Jardim Nacional e Maracá.
O projeto se mantém por meio de uma rede de apoio formada por empresários locais, que doam alimentos, botijões de gás e serviços, além do trabalho de voluntários.
“Eu queria trabalhar na área de alimentação e cuidar de pessoas. Queria matar a fome de quem precisava. Eu passei por isso e queria ajudar de alguma forma. Então comecei o trabalho por volta de 2001. A ONG, para mim, é amor mesmo”, disse Gonzaga.
Solidariedade que ultrapassa fronteiras
A capacidade de mobilização de Marília também ultrapassa os limites urbanos. Em 16 de fevereiro, quando um ônibus com mais de 40 maranhenses capotou na rodovia Transbrasiliana (BR-153), a solidariedade dos marilienses voltou a chamar a atenção. Foram registradas inúmeras doações de roupas e alimentos às vítimas, acolhidas pela Secretaria Municipal de Assistência Social.
A mobilização também chegou ao Hemocentro de Marília, que reuniu centenas de pessoas para doação de sangue aos feridos atendidos em hospitais e unidades de pronto-atendimento da cidade. A tragédia deixou oito mortos e mais de 40 feridos.
Antes, em 2024, a cidade organizou uma campanha de arrecadação para ajudar vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul. No segundo dia de coleta em um dos pontos, já haviam sido reunidas 20 toneladas de mantimentos.
A iniciativa envolveu moradores e organizações locais, como a transportadora AJ Borges, que ofereceu apoio logístico para o envio das doações ao Sul do país.
Segundo Roberto Cardoso Borges, ações semelhantes já foram realizadas anteriormente, com o envio de ajuda humanitária para vítimas de um vendaval no Paraná e de enchentes em Juiz de Fora, Minas Gerais.
O desaparecimento de João Raspante Neto deixou uma marca profunda de tristeza em Marília. Ao mesmo tempo, a mobilização para encontrá-lo revelou uma lição sobre o amor ao próximo. É com esse espírito solidário que a cidade reafirma a força de sua gente.
Representantes dos diretórios acadêmicos da Faculdade de Medicina de Marília (Famema) e do complexo HCFamema…
Equipe do Corpo de Bombeiros atuou no incêndio criminoso no prédio da Emdurb em Marília…
Dois homens foram encaminhados à Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Marília na madrugada desta…
Um funileiro de 48 anos procurou a polícia depois de ser vítima de furto na…
Um carro furtado em Santa Bárbara d’Oeste, na região de Avaré, foi localizado abandonado em…
Carro capotou após colisão na zona oeste de Marília (Foto: Redes Sociais) Um carro capotou…
This website uses cookies.