Marília e região

Marília alcança top 100 do Brasil em potencial de consumo

Vista aérea da zona norte de Marília; pesquisa aponta crescimento econômico, expansão empresarial e avanço da classe C (Foto: Joe Arruda/Marília Notícia)

A economia de Marília deve movimentar R$ 13,34 bilhões ao longo deste ano, com crescimento financeiro real de 8,19% em relação aos R$ 12,33 bilhões registrados em 2025. O desempenho fez o município avançar no mapa do mercado brasileiro e entrar na lista das 100 cidades com maior potencial de consumo do país, ao subir da 101ª para a 100ª posição no ranking nacional. No Estado, Marília manteve a 33ª colocação, segundo o IPC Maps.

A exemplo do panorama econômico nacional, o destaque do ano é a consolidação da classe C. Em Marília, esse grupo passou de 45.965 para 51.068 domicílios urbanos, alta de 11,1%, e agora ocupa 56,3% das residências da cidade, ante 51% no ano anterior.

Como reflexo da mobilidade social, a classe C mariliense assumiu, de forma inédita, a liderança geral do potencial de consumo. O grupo passou a responder por 37,4%, ou quase R$ 4,92 bilhões, de tudo o que será desembolsado no município em 2026, ultrapassando os 36,6% da classe B.

O anuário mostra que parte desse crescimento da classe média ocorreu por migrações vindas da base. Os lares enquadrados nas classes D/E tiveram forte retração, de 19,2% (17.305 lares) para 15,1% (13.685 lares). No topo da pirâmide, a classe A mariliense, que concentra apenas 4,3% dos lares, também se capitalizou e saltou de 15,8% para 21% da fatia de consumo total da cidade.

Perfil empresarial e emprego

O emprego formal e o dinamismo de mercado em Marília também seguiram em ascensão, refletindo a alta nacional na quantidade de empresas ativas. A cidade registrou crescimento de 8,63% na abertura e manutenção de empresas, de 42.136 estabelecimentos em 2025 para 45.771 negócios ativos em 2026, saldo local de 3.635 novos CNPJs.

O principal motor dessa alta foi o setor de serviços, que passou de 24.568 para 27.354 empresas. Na sequência aparecem comércio, de 8.764 para 9.116 unidades; indústria, de 6.235 para 6.694; e agribusiness, de 2.569 para 2.607 estabelecimentos.

Perfil básico e divisão territorial

Em termos demográficos, a população de Marília teve ligeiro crescimento de 0,2%, de 247.505 para 248.007 habitantes. A principal força consumidora vive na área urbana, com 245.159 moradores, onde o consumo per capita anual passou de R$ 49.585,52 para R$ 53.692,54, alta de 8,28%.

Em contrapartida, a área rural do município registrou retração. Os gastos totais caíram de R$ 204,2 milhões no ano anterior para R$ 182,8 milhões, queda de 10,4%, reduzindo o consumo per capita no campo para R$ 64.191,27.

Hábitos de consumo e prioridades

Marília acompanha o comportamento das famílias brasileiras de destinar parte expressiva do orçamento ao transporte. As despesas primárias com habitação lideram os desembolsos locais, consumindo quase R$ 3,67 bilhões da renda na cidade, crescimento de 6,8% em relação a 2025.

Na sequência, o gasto com aquisição ou manutenção de veículo próprio deve alcançar R$ 1,43 bilhão, aumento de 8,8%, superando até mesmo a alimentação básica dentro de casa, com a qual as famílias deverão gastar pouco mais de R$ 1,08 bilhão até o fim de 2026.

Para Marcos Pazzini, sócio da IPC Marketing Editora e responsável pela pesquisa, 2026 será um ano atípico e desafiador para a economia brasileira, já que “as recentes guerras ao redor do globo estão impactando diretamente o bolso dos brasileiros, em função da possibilidade de aceleração inflacionária”. Ele também cita a quantidade de feriados em dias úteis, a Copa do Mundo e as eleições estaduais e federal.

Publicado anualmente pela IPC Marketing Editora, empresa que utiliza metodologias exclusivas para cálculos de potencial de consumo nacional, o IPC Maps se destaca como o único estudo que apresenta, em números absolutos, o detalhamento do potencial de consumo por categorias de produtos para cada um dos 5.570 municípios do país, com base em dados oficiais, por meio de versões em softwares de geoprocessamento.

O levantamento traz múltiplos indicativos dos 22 itens da economia, por classes sociais, com foco em cada cidade, sua população, áreas urbana e rural, setores de produção e serviços. A ferramenta possibilita comparativos entre municípios, entorno, estados, regiões e áreas metropolitanas, inclusive em relação a períodos anteriores.

Alcyr Netto

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