Exportações de Marília recuaram em agosto, após 'tarifaço' dos Estados Unidos (Foto: Arquivo/MN)
As mudanças da nova política externa dos Estados Unidos, com o presidente Donald Trump (Partido Republicano), pode fazer com que a cidade de Marília sinta reflexos em suas exportações. O país norte-americano é o principal destino dos produtos alimentícios exportados pela empresas marilienses.
Em 2024, o município exportou o equivalente a US$ 48,3 milhões (R$ 286,41 milhões), sendo que 19,3% desse total (US$ 9,31 milhões – R$ 55,20 milhões) tiveram como destino os Estados Unidos, segundo dados do Ministério da Economia.
O volume representou uma queda em relação a 2023, quando o mercado norte-americano foi responsável por 28,9% (US$ 16,2 milhões – R$ 96 milhões) das exportações marilienses.
Para Silvio Zilio, diretor-titular do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) Regional da Alta Paulista, os impactos diretos das políticas de Trump ainda são incertos, mas o cenário exige atenção.
“Medidas protecionistas podem prejudicar alguns setores exportadores, mas também podem beneficiar outros, se elas forem mais pesadas nos produtos chineses”, avalia Zilio.
Nos últimos anos, as exportações de Marília apresentaram certa estabilidade. Em 2023, o valor total foi de US$ 56,2 milhões (R$ 333,26 milhões), pouco superior ao de 2024 e os US$ 52,7 milhões (R$ 312,51 milhões) de 2022. Apesar disso, o mercado norte-americano segue sendo um dos principais destinos dos produtos marilienses.
“Num primeiro momento você vê muita bravata. Não dá para você afirmar que medidas extremas, como se anunciam em campanha, são efetivamente colocadas em práticas depois. É preciso ter esse tempo de maturação do que realmente vai ser feito ou não. O que mais implicaria é a questão da sobretaxa para os produtos estrangeiros”, analisa o economista Benedito Goffredo.
Setores que dependem de tarifas reduzidas ou acordos comerciais flexíveis podem enfrentar barreiras mais rígidas.
Por outro lado, medidas mais duras contra produtos chineses, que já foram uma marca da gestão anterior de Trump, podem abrir oportunidades para o Brasil em alguns nichos de mercado.
“Eventualmente, isso pode até ser bom para nós. Se a sobretaxa é maior para produtos chineses, você está abrindo também um mercado até para o Brasil. Por isso, é muito precipitado a gente acreditar na forma com que foi dito em campanha”, explica o economista.
O panorama global, entretanto, preocupa pela instabilidade que pode ser gerada na economia. Apesar das incertezas, Zilio acredita que o mercado tende a se estabilizar a longo prazo.
“O problema para nós aqui no Brasil é que, juntamente com o déficit fiscal, pode gerar aumento de juros, inflação e câmbio nas alturas, o que pode fazer com que não seja atrativo para novos investimentos produtivos. No longo prazo, acho que sempre se estabiliza”, conclui o diretor do Ciesp.
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