Marília

Marília alcança 91 anos com avanços sociais, mas frustra na renda

Idoso com a bandeira do município de Marília, durante evento restito neste aniversário, para hasteamento das bandeiras (Foto: João Carvalho)

De quarentena, sem festa, preocupada com a saúde e com as contas que vão vencer, Marília chega aos 91 anos. A cidade tem avanços em indicadores sociais e expressivo crescimento populacional, mas não consegue pagar sua dívida com a população mais pobre.

Apesar do diversificado polo industrial e amplo setor de serviços, a cidade ainda deixa a desejar em saneamento básico, remuneração média do trabalhador, distribuição de renda e planejamento urbano.

No ranking dos maiores municípios paulistas em território, Marília ocupa a 22ª posição, com seus 1.170,52 quilômetros quadrados.

A população, segundo a Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), atingiu este ano 231.554 habitantes. O número é bem diferente da estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que projetou 239 mil pessoas para a cidade em 2019.

Vista aérea de Marília (Foto: Arquivo/Marília Notícia)

Em número de moradores, segundo a Seade, a cidade é a 34ª do Estado de São Paulo. Entretanto, se o indicador for o PIB (Produto Interno Bruno), Marília cai para a 45ª posição entre os municípios paulistas, com R$ 7,7 bilhões na soma das riquezas.

A mesma análise, pelos dados da Fundação Seade, mostra que a cidade ainda não ascendeu sequer à “classe média baixa” e está incluída na parcela dos 33% de municípios mais pobres do Estado.

O PIB per capta – cálculo que considera a média das riquezas por cada habitante – coloca a cidade na 200ª posição entre os 645 municípios de São Paulo.

Ocupação do espaço

Cidade hoje está deserta, com a maioria das pessoas dentro de suas casas; densidade populacional cresce mais que a do Estado (Foto: João Carvalho)

A densidade demográfica de Marília é de 197,2 habitantes por cada quilômetro quadrado, porém 95,51% dessa população está no perímetro urbano, em bairros que não param de crescer. Um exemplo é a região de Padre Nóbrega, na zona Norte da cidade.

Nos últimos 20 anos, houve desaceleração na densidade populacional. Em 1980 eram 103 habitantes por km², já em 2000, esse número subiu para 168 pessoas (no mesmo espaço), ainda reflexo do fluxo entre o campo e a cidade.

Além da escolha de Marília pela população da região, como polo para emprego e moradia, o indicador é impactado também pela redução do tamanho das famílias e a expansão da mancha urbana, ocupando novas áreas nas periferias.

A ampliação no número de casas é visível e acelerada, além de Padre Nóbrega, na região da Examar (Altos do Palmital) e na zona Oeste, especialmente imediações do Califórnia, Coimbra e Comerciários.

Na zona Leste, a cidade avança em direção a Lácio, com imóveis de alto padrão, principalmente em condomínios.

Gente e vida

No indicador de mortalidade infantil, o mais recente dado (2019) aponta dois anos consecutivos de queda. A taxa ficou em 9,98 óbitos no primeiro ano de vida, a cada mil bebês nascidos vivos. No Estado esse índice é de 10,70.

Queda na mortalidade infantil foi um dos indicadores que o prefeito Daniel Alonso comemorou recentemente (Foto: João Carvalho)

A taxa de mortalidade da população também está abaixo da média paulista. Em Marília morrem 87,91 pessoas a cada cem mil habitantes, por ano. No Estado de São Paulo, a indicador é de 100 óbitos, a cada grupo de 100 mil, anualmente.

O prefeito Daniel Alonso (PSDB) anunciou a conclusão de obras que permitem tratar até 70% do esgoto produzido na cidade. Porém, o grande número de ramais que ainda afastam o esgoto sem tratar e a descontinuidade em redes que ligam as residências até as estações ainda não permitem comemorar. As obras, recentes, estão em fase de operação experimental.

Educação, saúde e renda

Entre os jovens de 18 a 24 anos, o número de marilienses com Ensino Médio Completo corresponde a 69% do total. O indicador de escolaridade está acima da média paulista, que é de 57,89% dessa faixa etária.

Marília tem, segundo a Fundação Seade, média de 2,69 leitos do Sistema Único de Saúde (SUS) para cada mil habitantes, enquanto que a região tem 1,98 leitos e o Estado de São Paulo somente 1,18 para cada grupo de mil pessoas.

Cidade tem reconhecimento pela Educação Básica e jovens concluindo o Ensino Médio acima dos indicadores do Estado de São Paulo (Foto: Imprensa/PMM)

Já o rendimento médio do trabalhador mariliense – com carteira assinada – está abaixo da média do Estado de São Paulo. Se considerados todos os 645 municípios, é possível dizer que o paulista ganha, em média R$ 3.378,98 por mês.

Já o mariliense tem média de R$ 2.632,27 de salário. O setor de serviços tem o melhor salário na cidade, pagando R$ 2.891,25 ao assalariado. Já a indústria é seguida de perto com salário médio de R$ 2.830,72.

A construção civil paga, em média, R$ 2.204,69 para quem tem carteira assinada. Já o comércio, remunera na faixa de R$ 2.016,03, segundo dados do Seade. Em nenhuma categoria, a média salarial de Marília fica acima do Estado.

Mariliense tem média de R$ 2.632,27 de salário (Foto: Arquivo)

Carlos Rodrigues

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