Marília

Marília bate recorde de procedimentos para doações de órgãos

Marília tem motivo para comemorar neste 27 de setembro, Dia Nacional da Doação de Órgãos. Em 2017 o município bateu recorde de ações relacionadas a doações de órgãos e tecidos para transplante dos últimos 10 anos.

Os dados são do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DataSUS) e mostram que em 2017 foram 155 procedimentos. Em 2018, até julho foram 76.

Estão calculados as retiradas de órgãos de pacientes com morte cerebral e também de córneas, em que a doação é possível em óbitos verificados pela ausência de batimentos cardíacos. Ou seja, a grande maioria dos falecimentos.

Os números são referentes a procedimentos relacionados a “transplantes de órgãos, tecidos e células”.

Desde 2008 são 1.073 ações desse tipo e antes de ser batido no ano passado, o recorde anual era de 143 intervenções em 2015.

Os números, no entanto, poderiam ser muito maior. Para isso, é preciso que os indivíduos comuniquem seus parentes sobre a intenção de ser doador de órgãos.

São os familiares que autorizam ou não, conforme manifestação de desejo da pessoa durante sua vida.

Hoje, no Brasil 43% ainda recusam a doação, enquanto a média mundial é de 25%, segundo o Sistema Nacional de Transplantes.

Como funciona

A maior dos procedimentos de captação de órgãos é realizado pelo Hospital das Clínicas de Marília. A Santa Casa de Misericórdia de Marília também realiza parte dessas ações. Uma rede que envolve outras santas casas da região também é fundamental.

No HC funciona uma Organização de Procura de Órgão que abrange 141 município com total de 1,9 mil habitantes.

De acordo com enfermeira da Central de Captação de Doadores do HC (Hospital das Clínicas) da Famema (Faculdade de Medicina de Marília) Débora Gutierrez, são 10 OPOs no Estado.

Na área abrangida pela organização de procura do HC, além de Marília algumas cidades são chave. Assis, Presidente Prudente, Ourinhos, Lins, Tupã, Adamantina, Santa Cruz do Rio Pardo e outras que contam com hospitais regionais.

Nesses locais – quase sempre nas santas casas – são montadas Cihdott (Comissão Intra Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante), responsáveis por “identificar o potencial doador de órgãos”, diz Débora.

De acordo com ela, os membros da comissão fazem visitas aos pacientes com morte encefálica. Quando se confirma, é aberto um protocolo médico para que seja considerado legalmente morto o paciente.

“Então é feita uma entrevista os familiares e coloca-se a possibilidade de ser um doador. Hoje a maior parte da recusa é por desconhecimento da família. As pessoas não falam em vida que querem ser doadoras”, conta a enfermeira.

Quando as famílias autorizam a doação, é acionada a central de transplantes do interior do estado, que fica em Ribeirão Preto. “Eles fazem toda logística para trazer as equipes captadoras até o captador”, detalha Débora.

Após a retirada dos órgãos, os órgãos são levados até os pacientes com compatibilidade identificada pelo centro transplantador. A família do doador é comunicada e a funerária pode preparar o velório para os ritos fúnebres.

Principais órgãos

Débora explica que grande parte das doações são de córnea, por não ser necessário envolver casos de morte encefálica.

Já os casos de óbito cerebral são aqueles que possibilitam a captação de maiores quantidades de órgãos, como coração, fígado sólido, córneas e osso.

“Tudo depende de compatibilidade e idade do doador. Cada órgão tem limite de idade. Se tem mais de 60 anos, não vai ser doador de coração, nem pulmão, mas pode pulmão e fígado”, conta a enfermeira.

“Precisa ter pessoas compatíveis. Mesmo que não consiga doar tudo, sempre são doados alguns órgãos. Se não é compatível, sempre doa fígado, córneas. Nada se perde”.

De acordo com ela, o rim é um órgão “que tem mais aceite”. “O aceite é mais expandido, quanto de idade e compatibilidade, então é órgão que mais se doa”.

Já casos de doação em vida, de um dos rins e do fígado, entre parentes até quatro graus consanguíneos são possíveis, mas não são feitos em Marília.

Leonardo Moreno

Leonardo Moreno é jornalista e atualmente cursa Ciências Sociais. Vê o jornalismo de dados como uma importante ferramenta para contar histórias, analisar a sociedade e investigar o poder público e seus agentes.

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