Marília e região

Marília aposta em políticas públicas para reduzir desigualdades

Reduzir desigualdades em um cenário de contrastes sociais, limitações orçamentárias e desafios históricos. Essa tem sido a missão da Prefeitura de Marília ao estruturar um conjunto de políticas públicas com foco em saúde, juventude, assistência social e educação, especialmente voltadas aos bairros mais periféricos. Em meio a cobranças por eficiência e responsabilidade fiscal, a administração aposta em ações integradas como caminho possível para garantir dignidade e acesso aos direitos básicos da população.

Saúde perto de casa

Uma das estratégias adotadas pela gestão municipal para enfrentar desigualdades foi descentralizar os serviços de saúde. A criação de unidades básicas em regiões antes desassistidas e a adesão ao programa Zera Fila são exemplos de medidas voltadas à ampliação do acesso.

De acordo com dados da Prefeitura, Marília contabiliza mais de 50 unidades de saúde, com planos de reestruturação em andamento. “Nosso objetivo é que a população não precise se deslocar até o centro para atendimento básico. Cada bairro tem o direito de contar com estrutura de saúde de qualidade”, afirma a secretária municipal da Saúde, Paloma Libanio.

O município também enfrenta entraves como a escassez de repasses estaduais para procedimentos especializados, o que afeta diretamente a oferta de exames, cirurgias e fornecimento de insumos — como dietas industrializadas — em caráter emergencial.

A juventude no centro das políticas

Com mais de 40 mil jovens entre 15 e 29 anos, segundo o IBGE, Marília iniciou em 2025 a implementação da chamada Agenda Jovem, um programa institucional criado por decreto para centralizar ações voltadas a essa parcela da população. A iniciativa está sob responsabilidade da Secretaria Municipal de Esportes, Lazer e Juventude (Selj) e visa coordenar políticas nas áreas de educação, capacitação, cultura e saúde mental.

O Espaço Juventude, revitalizado recentemente na zona norte, deve abrigar oficinas, rodas de conversa e orientação profissional. “O jovem de periferia muitas vezes é invisível para o poder público. Estamos tentando mudar essa realidade com políticas transversais e escuta ativa”, diz a secretária Valéria Cavecci.

Rede de proteção social

Entidades como o Instituto Lóttus, que atende crianças, adolescentes e idosos em situação de vulnerabilidade, têm sido parceiras estratégicas do município. Mesmo enfrentando dificuldades estruturais, a organização atua como elo essencial entre a população e os serviços públicos.

Segundo dados do Cadastro Único, mais de 21 mil famílias em Marília estão inscritas como de baixa renda. As políticas precisam ser acompanhadas de recursos efetivos. A fome e a exclusão ainda existem. Mas as ações da Prefeitura têm avançado, é preciso garantir continuidade e capilaridade para que cheguem a quem mais precisa

Investimento com propósito

Em 2025, o município executou cerca de R$ 247,3 milhões em ações diretas de saúde e assistência social, o que representa 35,31% do orçamento total até agora, segundo levantamento do Portal da Transparência. Parte significativa desse montante foi destinada a convênios com organizações da sociedade civil, ações de segurança alimentar, transporte de pacientes e manutenção de unidades de saúde.

A Prefeitura também deu início a obras de infraestrutura com foco social, como pavimentação de vias em bairros com menor acesso, implantação de iluminação pública e regularização fundiária.

O modelo de gestão adotado nos últimos meses indica uma tentativa de conciliar responsabilidade fiscal com foco social, apostando em parcerias e descentralização. Ainda assim, persistem desafios estruturais: limitações nos repasses estaduais e federais, burocracia na execução orçamentária e carência de pessoal em áreas estratégicas.

Com iniciativas em andamento e uma população que exige respostas urgentes, Marília vive o desafio constante de governar para todos, com atenção especial aos que mais precisam. A equação entre limite fiscal e justiça social ainda não está resolvida, mas os passos dados indicam um caminho possível — e necessário.

Carolina Rolta

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