Além de fazer a ponte para aproximar o PT de ruralistas e de evangélicos, o ex-governador Geraldo Alckmin (PSB), pré-candidato a vice na chapa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi incorporado ao time da pré-campanha que procura abrir diálogo com os militares. Alckmin vai se somar aos ex-ministros da Defesa Nelson Jobim, Jaques Wagner (PT-BA) – hoje senador -, e Celso Amorim, que já conversam com generais do Exército para expor preocupações sobre o pós-eleição.
“Temos dialogado, sim, por meio de vários interlocutores, sobre a conjuntura, a democracia e a pauta do interesse do setor, com vistas a um futuro governo Lula-Alckmin”, disse o ex-governador do Piauí Wellington Dias (PT), um dos integrantes da coordenação da pré-campanha.
Como revelou o Estadão em abril, emissários de Lula sondaram a cúpula do Exército sobre as ameaças feitas pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) para saber se, caso o petista seja eleito, conseguirá tomar posse. A resposta é sempre a de que nenhuma iniciativa fora do jogo democrático terá apoio das Forças Armadas.
Com mais de uma década no comando do governo de São Paulo, à época no PSDB, Alckmin tem contato com policiais militares e também generais que passaram pelo Comando Militar do Sudeste, mas não divulga com quem tem conversado. O assunto é tratado com cautela pela equipe.
PLANO
No comitê de Lula, Alckmin também tem ajudado no plano de governo, segundo o ex-ministro da Casa Civil Aloizio Mercadante, coordenador do programa. “O governador Alckmin tem contribuído em alguns eixos importantes, com propostas para fortalecimento do SUS no pós-covid.” Ele afirmou, ainda, que a campanha vai propor um “aprimoramento do pacto federativo, fragilizado pelas atitudes do governo Bolsonaro”.
Na economia, a expectativa é a de que Alckmin leve novas ideias. Um dos formuladores do Plano Real e ex-coordenador do programa econômico de Alckmin em 2018, Persio Arida já conversou com Mercadante, mas não tem participado das discussões para a montagem do plano de governo.
Presidente do PSB de São Paulo, Jonas Donizette afirmou que Alckmin conversará com vários setores da sociedade. No caso dos militares, ele destacou que “o próprio Lula também tem relações nessa área, menos com a corrente bolsonarista”. A pré-campanha prevê que Lula e Alckmin participem de reuniões separadas, em busca de apoios.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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