Política

Debate é encarado como evento crucial da campanha para Lula e Bolsonaro

As campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Jair Bolsonaro (PL) tratam o debate presidencial desta sexta-feira, 28, como o principal fato político antes da eleição e investem todos os esforços na preparação dos candidatos para o último enfrentamento direto. Enquanto o QG petista considera que Lula não pode escorregar, para manter a liderança conquistada no primeiro turno, o time bolsonarista aposta na estratégia de “tudo ou nada” e deposita na aparição em rede nacional as últimas expectativas de uma virada na disputa eleitoral.

Lula diminuiu o ritmo da campanha nesta semana e cancelou viagens para fora de São Paulo, com intuito de descansar e se preparar para o evento. O petista passou parte do dia de seu aniversário de 77 anos treinando com seus aliados, na sede da produtora onde as peças da campanha são gravadas, em São Paulo. Participaram do treinamento o coordenador de comunicação da campanha Edinho Silva, o marqueteiro Sidônio Palmeira, o ex-ministro da Comunicação Social Franklin Martins, e a preparadora de candidatos Olga Curado.

A campanha petista considera que Bolsonaro iniciou o segundo turno na ofensiva, mas desde a metade da semana passada ficou acuado por uma série de fatos que devem ser explorados por Lula. Por isso, os aliados do ex-presidente argumentaram desde o último fim de semana que ele deveria se resguardar para evitar erros na reta final, poupar a voz, e se preparar para o debate.

A avaliação do QG de Lula sobre o debate passado foi a de que o ex-presidente se saiu bem no início, mas errou no controle do tempo durante o bloco final, o que permitiu que Bolsonaro falasse por quase 6 minutos sem ser interrompido. Um dos focos do treinamento desta vez, portanto, foi o uso do tempo de resposta. O tema da corrupção, considerado uma fragilidade nas respostas de Lula, também foi objeto de preparo.

Lula tem na manga quatro fatos que petistas consideram negativos para Bolsonaro – e que, na leitura do PT, fizeram a campanha adversária ficar desorientada na reta final do segundo turno: a fala do presidente sobre meninas venezuelanas, o ataque de Roberto Jefferson contra agentes da Polícia Federal e dois estudos do Ministério da Economia, sobre desindexação do salário mínimo da inflação do ano anterior e sobre fim da dedução de gastos com saúde e educação do Imposto de Renda.

A ideia da campanha petista, no entanto, é concentrar o discurso em questões econômicas e mostrar propostas para um eventual novo governo. Também por isso, Lula divulgou na véspera do debate uma carta aberta com ideias e compromissos, como a defesa da responsabilidade fiscal e promessas sociais de campanha.

Fichas

Em público e nas redes sociais, aliados de Bolsonaro desdenham das pesquisas de intenção de voto que mostram Lula na liderança, mas, em conversas privadas, integrantes do comitê tratam o cenário ao menos como “empate técnico” e dizem que apostam todas as fichas no debate da Rede Globo. O presidente está sendo treinado pelos dois Fábios – Faria e Wajngarten – que eram desafetos quando estavam no governo, mas se reaproximaram e comandam a estratégia no 2° turno.

As pesquisas qualitativas da campanha bolsonarista apontam que os dois episódios que mais causaram desgaste e exigiram uma mobilização para redução de danos foram o “pintou um clima”, fala de Bolsonaro sobre meninas venezuelanas associado a pedofilia pela campanha de Lula, e o “fogo amigo” das declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre salário mínimo.

A questão do salário mínimo, que preocupa os bolsonaristas, deve ser foco de uma fala enfática de Bolsonaro. O presidente pretende aproveitar a audiência da Globo para repetir a promessa de que irá garantir aumento real do salário mínimo e das aposentadorias, algo que já disse após as declarações de Guedes. Já o caso Roberto Jefferson é minimizado pelos bolsonaristas. O candidato á reeleição levará ao debate argumentos para ligar Lula a Jefferson e, no caso do salário mínimo, pretende dizer que o Lula não tem maioria no Congresso para garantir aumento real indexado à inflação.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Agência Estado

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