Marília

Licitação para obra de tratamento do esgoto é retomada

Obras abandonadas (Foto: Hailton Medeiros/Arquivo)

Voltou a andar o edital da concorrência pública para fornecimento de materiais e mão de obra na retomada das obras do esgoto em Marília.

A Prefeitura Municipal publicou no Diário Oficial desta terça-feira (17) o termo de continuidade do certame da “Obra do Século”, que tem uma história cheia de reviravoltas (leia abaixo).

O valor da obra é R$ 30.816.751,36 dos quais R$ 25,5 milhões são provenientes de financiamento por banco de fomento e R$ 4,8 milhões de contrapartida da Prefeitura.

O edital que tramita atualmente no Departamento de Licitação foi publicado no mês passado, mas houve suspensão depois de pedidos de impugnações e esclarecimentos por interessados no serviço.

A nova data para abertura de propostas de empresas interessadas foi marcada para quarta-feira (18) e o curto prazo – de apenas um dia – chamou a atenção de alguns setores marilienses, como a Organização da Sociedade Civil de Interesse Público Marília Transparente.

Histórico

Em abril a Prefeitura havia anulado uma outra concorrência pública para retomada das obras após apontamentos de supostas irregularidades feitos pelo Tribunal de Contas da União (TCU). A representação foi feita pelo deputado estadual Abelardo Camarinha (PSB).

O ministro Aroldo Cedraz entendeu que existiam problemas com a “licitação técnica e preço em desacordo com as condições legais; exigência cumulativa irregular de capital social mínimo e garantia das empresas; e ausência de critérios objetivos para análise das propostas técnicas”.

O edital que foi anulado contou com uma única empresa interessada em assumir o serviço. A Replan Saneamento e Obras LTDA pediu R$ 29,8 milhões para retomar e concluir a construção das ETEs (Estação de Tratamento de Esgoto) Pombo e Barbosa, em Marília.

As ETEs Pombo e Barbosa que farão o tratamento de 60% do esgoto de Marília. Os outros 40% do esgoto produzido na cidade serão futuramente tratados pela Estação Palmital, projeto em que a administração municipal se mobiliza para conseguir recursos e abrir nova licitação para tirar do papel.

Atualmente praticamente 100% do esgoto produzido em Marília é despejado ‘in natura’ nos mananciais. Segundo o Instituto Trata Brasil, o município é o único da bacia Aguapeí Rio do Peixe que não trata nada do seu esgoto.

O canteiro de obras está parado desde 2015. O TCE (Tribunal de Contas do Estado) de São Paulo investiga supostas irregularidades na rescisão amigável do contrato entre Daem (Departamento de Água e Esgoto de Marília) e OAS para as obras do esgoto de Marília durante o governo do ex-prefeito Vinícius Camarinha (PSB).

Na época, a alegação da Prefeitura era de que a OAS estava envolvida na operação Lava Jato e representava um risco aos recursos públicos, pois poderia acabar abandonando as obras.

As investigações foram iniciadas com representação feita pela Marília Transparente a respeito de um reconhecimento de dívida entre a autarquia e a construtora superior a R$ 2,4 milhões.

A entidade mostrou ao TCE indícios na rescisão de “grave ofensa aos princípios da legalidade, moralidade, eficiência e economicidade e também ao dever de lealdade à autarquia municipal”.

O ex-prefeito Vinícius disse ao Marília Notícia que “todos os trâmites obedeceram a legislação. Na rescisão amigável foi reconhecida a parte devida de contrapartida cabível ao Município”.

O recurso que aguarda na Caixa Econômica Federal para ser aplicado na retomada da obra quase foi perdido por conta da demora na finalização do projeto, mas a atual gestão teria conseguido “segurar” o dinheiro.

As obras de afastamento e tratamento as ETEs Pombo e Barbosa, no entanto, já deveriam estar prontas muito tempo antes. Elas deveria ter começado em 1990. No ano de 1992, um acórdão do Tribunal de Justiça obrigou a Prefeitura de Marília a iniciar os trabalhos, mas nada foi feito.

Multas foram aplicadas e o projeto se arrastou até 2005, quando foi novamente retomado até 2008. Na ocasião a Prefeitura, sob comando de Mario Bulgareli, atrasou o pagamento do empréstimo de R$ 25 milhões do BNDES e a obra foi mais uma vez paralisada. No governo de Abelardo Camarinha também houve continuidade das obras em alguns períodos.

Leonardo Moreno

Leonardo Moreno é jornalista e atualmente cursa Ciências Sociais. Vê o jornalismo de dados como uma importante ferramenta para contar histórias, analisar a sociedade e investigar o poder público e seus agentes.

Recent Posts

MP pede derrubada de lei que flexibilizou uso de sacolas plásticas em Marília

Sacolinhas plásticas voltam a ser assunto em Marília (Foto: Alcyr Netto/Marília Notícia) O Ministério Público…

9 horas ago

Destroços de avião que caiu na AABB em Marília são removidos para investigação

Destroços sendo retirados da AABB em Marília para prosseguimento das investigações (Foto: Carlos Rodrigues/Marília Notícia)…

13 horas ago

Mariliense mira nova quebra de recorde no Circuito Paralímpico em SP

Kevin Zorzela defende melhor marca do salto em distância em sua categoria há três anos…

14 horas ago

Idosa de 86 anos é empurrada durante roubo dentro de casa; região acumula denúncias

Uma idosa de 86 anos foi vítima de roubo dentro da própria residência na noite…

15 horas ago

Projeto de avenida de R$ 55 milhões avança com novo decreto em Marília

Futura Transversal Radial Leste vai interligar a zona leste (Reprodução: Prefeitura de Marília) A Prefeitura…

15 horas ago

This website uses cookies.