Polícia

Laudo feito mais de 7h após morte não indica álcool no exame de policial

Policial militar Moroni Siqueira Rosa foi preso em flagrante após homicídio (Foto: Arquivo/Marília Notícia)

A Superintendência da Polícia Técnico-Científica concluiu o exame toxicológico do policial militar Moroni Siqueira Rosa, de 37 anos, pelo homicídio de Hamilton Olímpio Ribeiro Júnior, 29, durante o evento Marília Rodeo Music, ocorrido em Lácio, zona leste de Marília. O resultado do exame, feito cerca de sete horas depois do crime, não indicou a presença de álcool no organismo do acusado.

De acordo com as informações apuradas pelo Marília Notícia, o exame de corpo delito foi realizado às 9h no Pronto Atendimento (PA) da zona sul. O homicídio ocorreu era pouco depois da 1h da madrugada. Moroni aceitou coletar sangue para o exame toxicológico, solicitado pela Polícia Civil. A dosagem de álcool etílico em sangue e pesquisa de drogas de abuso tiveram resultado negativo.

Apesar disso, existem fotografias do policial militar segurando uma latinha que aparenta ser de cerveja, além do relato de testemunha neste sentido.

Um médico ouvido pelo MN sob condição de anonimato revelou que o tempo para a realização do exame pode ter sido fundamental para o resultado negativo. O profissional explicou que o período em que o álcool permanece no corpo depende de vários fatores, incluindo a quantidade ingerida, a taxa metabólica de cada pessoa, o peso, a idade, o sexo e o estado de saúde geral.

“A justificativa para o álcool não ter sido detectado foi o tempo levado para a realização do exame. Se ele tomou soro no hospital, isso com certeza afeta o resultado. O exame teria que ter sido colhido antes. Pegou o acesso para o soro, já colhe exame”, revelou o médico.

O soldado foi preso em flagrante na data do crime e, dias depois, acabou encaminhado ao presídio Romão Gomes, em São Paulo.

De acordo com a denúncia apresentada pelo promotor Rafael Abujamra, no dia 31 de agosto, Moroni, que estava consumindo bebida alcoólica e portava sua arma de serviço, uma pistola Glock .40, envolveu-se em uma discussão com a vítima após um esbarrão.

Conforme Abujamra, motivado por um desentendimento banal, o PM utilizou um recurso que dificultou a defesa da vítima, além de ter causado risco a outras pessoas presentes, ao disparar contra Hamilton. Para o Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), o policial ainda tentou atingir outras duas pessoas com disparos que acabaram passando de raspão, colocando todos em perigo.

O promotor explicou que Moroni estava no evento com sua arma funcional carregada com 15 projéteis e, mesmo consumindo álcool, manteve-se armado em um local com grande aglomeração.

“Naquela ocasião, durante o show, o policial travou entrevero com a vítima Hamilton por conta de um esbarrão. Ato contínuo, impelido por fútil sentimento, pois em reação absolutamente desproporcional a causa, sacou da citada arma de fogo e, já em patente superioridade de armas, colocando os demais frequentadores do evento em evidente situação de risco (perigo comum), apontou-a para Hamilton e efetuou-lhe três disparos frontais, empregando recurso que lhe dificultou a defesa, pois sem condições de supor tamanho ataque. Não contente e mesmo com a vítima buscando se evadir, renovou outro tiro, atingindo Hamilton nas costas”, afirma o MP-SP em sua denúncia.

O promotor Rafael Abujamra solicitou que Moroni Siqueira Rosa seja julgado pelo Tribunal do Júri.

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Alcyr Netto

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