Polícia

Justiça nega liberdade a membros da ‘quadrilha de playboys’ que vendia drogas sintéticas

Operação Synthlux, segundo a polícia, revelou movimentações superiores a R$ 1,3 milhão (Reprodução: TV TEM)

Em decisão da 1ª Vara Criminal, a Justiça de Marília indeferiu os pedidos de liberdade de dois réus envolvidos em um dos maiores processos por tráfico de drogas, entre os casos que tramitam no fórum local. Trata-se da operação Synthlux, desencadeada em fevereiro, pela Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise).

A ação pena com mais de 18 mil páginas envolve 28 denunciados, a maioria deles jovens de classe média alta e alguns abastados, que teriam formado quadrilha para vender, principalmente, drogas sintéticas.

Conforme dados apurados junto ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TS-SP), atualmente 35 advogados trabalham no caso, fora outros causídicos que atuaram em fases anteriores, quando a operação policial foi desencadeada.

A nova decisão, fundamentada pelo juiz Paulo Gustavo Ferrari, enfatiza a necessidade de manter a prisão preventiva dos dois acusados (que ingressaram com o recurso), considerando a “gravidade dos fatos e a estrutura organizada da suposta associação criminosa”.

O magistrado destacou que o processo tem seguido tramitação regular, com esforços para garantir o contraditório e a ampla defesa.

INVESTIGAÇÃO

O processo penal, que teve o sigilo baixado pela Justiça, é resultado de um esforço da Dise, que mirou o grupo especializado em traficar drogas para frequentadores de baladas, estudantes, empresários e profissionais liberais que trabalham em escritórios luxuosos em Marília.

Dos 28 denunciados (entre homens e mulheres), seis estão presos, mas a maioria conseguiu fugir, beneficiados por uma decisão de primeira instância (que durou menos de uma semana), alvo de recurso posterior do Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) e que acabou revertida pelo TJ-SP.

A recaptura dos envolvidos, porém, levou a polícia “ao retrabalho” que ainda não terminou e pode favorecer a impunidade. Na época da operação, o grupo já se dispersava entre sete cidades. A suspeita é que alguns já estejam fora do país.

PATRIMÔNIO E LIGAÇÕES

No caso dos dois réus que tentaram a recente liberdade, o juiz que analisou o caso pontuou que um deles mantinha, comprovadamente, ligação com o líder do grupo criminoso.

Documentos encontrados no celular, incluindo contratos de compra e venda de imóveis e comprovantes de serviços diversos, apontam uma vida de luxo e ostentação.

Em relação ao outro réu com liberdade negada, foram encontrados arquivos de imagens contendo substâncias entorpecentes em seu computador, bem como diálogos que sugerem envolvimento com o tráfico de ecstasy e LSD.

Além de julgar sucessivos pedidos de liberdade, a Justiça tem se desdobrado nas intimações, apurações de prazos, consultas ao Ministério Público e individualização da participação dos réus.

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Carlos Rodrigues

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