Brasil e Mundo

Justiça manda prefeitura retirar frases bíblicas de praça em Praia Grande

Inscrições estão grafadas no alto de um obelisco de dez metros de altura, totalmente revestido em mármore branco. (Foto: Divulgação)

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) mandou a prefeitura de Praia Grande, no litoral sul paulista, retirar frases bíblicas expostas em uma praça da cidade. As inscrições estão grafadas no alto de um obelisco de dez metros de altura, totalmente revestido em mármore branco. O monumento faz parte da reurbanização da Avenida Presidente Kennedy, obra que teve custo total de R$ 53,5 milhões.

A sentença da 10ª Câmara de Direito Público, emitida em 20 de agosto, é favorável à ação civil pública da Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos (ATEA), que teve como base a Constituição Federal.

Em seu artigo 19, a carta magna estabelece que: “É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios (inciso I) estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público”.

O TJ-SP questionou a indicação religiosa da praça e considerou que a ação da ATEA atende ao direito coletivo de preservação do Estado laico.

“O local, expressamente direcionado para a comunidade cristã, subvencionado pelo município, é uma infração evidente à laicidade do Estado”, escreveu na sentença o desembargador relator Marcelo Semer. O TJ-SP recusou a aplicação de multa R$ 50 mil à administração municipal, por dano moral, requisitada pela associação.

Resposta

“A prefeitura de Praia Grande informa que analisará esta nova etapa do processo, mas adianta que entrará com recurso com relação a decisão emitida”, destaca a nota enviada à reportagem pela Subsecretaria de Comunicação do Município de Praia Grande.

O monumento foi inaugurado em 2012 na Praça da Bíblia, que tem 2,3 mil metros quadrados, no bairro Maracanã, pelo então prefeito Roberto Francisco dos Santos. O chefe do Executivo destacou na época a meta de agregar fiéis no bairro, para cristãos realizarem celebrações religiosas. Santos morreu em 2017 após sofrer um enfarte.

Ajuizada em 2014, a ação chegou a ser arquivada pelo juiz Enoque Cartaxo de Souza, da Vara da Fazenda Pública – Foro de Praia Grande. Após apelação da ATEA, foi enviada para instância superior.

A reportagem tentou contato com a Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos (ATEA), mas não houve resposta.

Agência Estado

Recent Posts

Marília disputa Copa Brasil Ouro de Tênis de Mesa com 14 atletas em São José

Competição integra o calendário nacional da modalidade (Foto: Divulgação) A equipe de tênis de mesa…

2 horas ago

Tese de doutorado da Unimar sobre violência contra a mulher ganha destaque no Vaticano

Estudo analisa políticas públicas de enfrentamento à violência contra a mulher (Foto: Divulgação) Uma tese…

2 horas ago

Unimar abre seleção para mestrado profissional em Administração em 2026

O Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade de Marília (PPGA Unimar) está com inscrições…

2 horas ago

Reforma do Cemitério da Saudade tem previsão de entrega até outubro

Reforma será realizada por meio de uma parceria com o Grupo Prever (Foto: Alexandre de…

2 horas ago

Mulher tenta socorrer filhote atropelado, mas é atacada por cães na região

Uma funcionária pública municipal, de 55 anos, sofreu ferimentos graves após ser atacada por dois…

2 horas ago

Homem é condenado por tentativa de homicídio após discussão em bar da zona sul

O Tribunal do Júri de Marília condenou a oito anos de prisão um homem por…

2 horas ago

This website uses cookies.