Ponte da estrada do Pombo, que liga regiões Norte e Oeste de Marília (atrás do Maracá) em chamas (Foto: Divulgação)
A produção de mandioca de mesa, já descascada, do produtor rural Roberto Salviano, terá aumento no custo produção. Isso porque ao invés de percorrer cinco quilômetros para chegar a cidade, a distância agora vai triplicar. No caminho, falta uma ponte, sobra fuligem e destruição na estrada.
Roberto é um dos produtores impactados pelos estragos da queimada no bairro rural do Pombo, entre as regiões Norte e Oeste de Marília. A extensão dos danos, em várias fazendas, ainda não foram calculados.
Tráfego na estrada está interrompido (Foto: Carlos Rodrigues/Marília Notícia)
“A gente tira de tudo um pouco. Agora tem sido mais leite e mandioca, mas está difícil. Já estava complicado com o tempo seco, vai ficando ainda mais caro produzir”, conta Roberto.
O fogo que começou na quarta-feira e durou quase 48 horas, matou animais, destruiu pastagens, áreas de preservação permanente, matas ciliares, queimou cercas, postes e a ponte sobre um dos principais córregos.
Mata ciliar foi totalmente devastada (Foto: Carlos Rodrigues/Marília Notícia)
Neste sábado (28), peritos do Instituto de Criminalística (IC) estiveram em uma das propriedades mais atingidas. A tarefa não é fácil, mas eles tentam reconstituir o caminho das labaredas e tentar encontrar possíveis responsáveis.
Pelo caminho são muitas as cercas destruídas também pelo gado, que tentou escapar do fogo, em meio ao desespero. O arame e os palanques são novos, mas estão no chão.
O gado, sem pasto, já sofria com a estiagem e perde peso rapidamente. Para socorrer os animais, produtores dependem apenas da ração, que está mais cara devido a seca prolongada.
Neste sábado (28), três dias depois do incêndio, ainda havia carcaça sendo devorada por abutres, em uma das áreas de pastagens. A chuva das últimas horas não garantiu que todos os focos estivessem extintos. Fumaça ainda podia ser vista em uma das encostas.
Planta suculenta, totalmente desidratada, após a fúria das chamas (Foto: Carlos Rodrigues/Marília Notícia)
A Polícia Civil informou que registrou apenas um boletim de ocorrência relacionado ao incêndio e aguarda que outros produtores também documentem as perdas.
A extensão dos estragos pode ser proporcional a pena. Caso seja identificado, o responsável pela queimada pode responder por crimes contra o Meio Ambiente (Lei 9.605), incêndio criminoso, exposição da vida ou saúde de terceiros a perigo iminente e ainda dano ao patrimônio, além de multas.
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