Brasil e Mundo

Incêndio no Rio alimenta briga política

Quando o Museu Nacional ainda ardia em chamas na noite de domingo, a tragédia já começava a se transformar em instrumento de luta política. Depois, nas ruas e nas redes sociais, militantes e candidatos tentaram se capitalizar eleitoralmente com a tragédia. Entre os presidenciáveis, principalmente Guilherme Boulos (PSOL), Ciro Gomes (PDT) e o vice registrado na chapa do PT, Fernando Haddad, classificaram a política para a preservação do patrimônio público como “lamentável” e criticaram a gestão atual.

Integrantes do PT e do PSOL culparam a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos gastos, que limitou o orçamento federal, como um dos fatores que levaram ao incêndio. A ex-presidente e candidata ao Senado Dilma Rousseff (PT) usou as redes para culpar o atual governo: “é o retrato do descaso e desinvestimento promovido por (presidente Michel) Temer, (Henrique) Meirelles e o PSDB”.

Ela foi rebatida por Meirelles (MDB), ex-ministro da Fazenda e candidato à Presidência: “Tão lamentável quanto o incêndio é ver gente oportunista tentando tirar proveito da situação para esconder nas cinzas do que sobrou a sua incapacidade de governar”.

O Movimento Brasil Livre (MBL), que tem lideranças concorrendo aos Legislativos federal e estaduais, disse que o reitor da Universidade Federal do Rio (UFRJ), Roberto Leher, é filiado ao PSOL e “culpou os bombeiros e a falta de verba”. O grupo criticou políticos ligados à esquerda por “culpar” a PEC dos gastos, justificando que o museu “recebeu” R$ 21 milhões do BNDES – em junho, foi assinado contrato de patrocínio com o Museu. Mas a verba não entra na PEC e não foi liberada por restrições eleitorais.

Candidato a senador no Rio e filho do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), Flávio Bolsonaro, do mesmo partido, sugeriu que a Polícia Federal deveria investigar o caso. Uma mensagem compartilhada por ele diz que é o quarto incêndio na “gestão PSOL” da UFRJ.

O ex-ministro da Cultura e candidato a deputado federal pelo PPS Marcelo Calero lembrou sua saída do governo Michel Temer. “Qdo (sic) bati de frente com (ex-ministro) Geddel (Vieira Lima) e Temer em defesa do patrimônio histórico, esses políticos canalhas saíram em defesa dos dois. Teve até um manifesto. Temer disse que eu havia feito ‘carnaval’. Agora, nossa memória virou cinzas, e vêm posar de bastiões da cultura nacional. Nojo!” Já o ex-presidente do Livres Paulo Gontijo, candidato à deputado estadual no Rio, disse que a esquerda “tem o hábito vergonhoso de adorar um cadáver/destroço para chamar de seu e pedir voto”.

Ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun ironizou a busca por culpados: “Na televisão não vi ultimamente alguém destacando a história do museu, valorizando para que se tornasse mais amado pela nossa população. Está aparecendo muita viúva apaixonada, mas, na verdade, essas viúvas não amavam tanto assim o museu em referência”. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Agência Estado

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