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Imunidade pós-vacina pode demorar semanas, segundo estudo

As novas variantes do coronavírus Sars-CoV-2 parecem ser mais transmissíveis porque a fase aguda da doença em quem se contamina com essas cepas dura mais. Desse modo, ao ficar mais tempo infecciosa, a pessoa também passa mais dias transmitindo o vírus. É o que indica o primeiro estudo que analisou um grupo de pacientes infectados com a variante B.1.1.7, que surgiu no Reino Unido.

O trabalho, liderado por pesquisadores da Escola de Saúde Pública da Universidade Harvard, tinha como objetivo avaliar se as pessoas contaminadas com a variante apresentariam uma concentração maior do vírus no nariz e na faringe, o que poderia ser uma explicação para ela ser mais transmissível. Para checar, eles fizeram teste de PCR (genético) em 65 indivíduos com o Sars-CoV-2. Apenas 7 tinham a variante B.1.1.7.

A principal diferença observada entre eles foi o tempo de infecção. Enquanto os pacientes com a variante tiveram, em média, um período total de infecção de 13,3 dias (sendo 5,3 de proliferação e 8 da fase de liberação do vírus), nos pacientes com a versão sem a mutação, a infecção total durou, em média, 8,2 dias (2 de proliferação e 6,2 de liberação). Já o pico de concentração viral nas amostras foi semelhante nos dois casos.

Os autores ponderam que o trabalho contou com uma amostra pequena de contaminados com a variante – e ainda não foi publicado em revista com revisão de pares (foi divulgado em modelo pré-print) -, mas alertam que as evidências podem apontar para a necessidade de um cuidado maior de quarentena com os infectados com essa e outras cepas que estão surgindo.

“Estes dados oferecem evidências de que esta duração estendida pode contribuir para o aumento da transmissibilidade do Sars-CoV-2 B.1.1.7”, escrevem. Se forem comprovados por dados adicionais, dizem, “um período de isolamento mais longo do que o atualmente recomendado, de 10 dias após o início dos sintomas, pode ser necessário para interromper com eficácia as infecções secundárias por esta variante”.

Os autores também recomendam que mais investigações genéticas sejam feitas para identificar a circulação das variantes e que o mesmo tipo de estudo seja feito com as variantes B.1.351 (que surgiu na África do Sul) e P.1. (que teve origem no Amazonas). Como todas têm mutações semelhantes, a expectativa é que o impacto na transmissibilidade seja parecido.

Agência Estado

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