João de Deus
O Instituto de Neurologia de Goiânia aconselhou as mulheres de sua equipe a não entrar desacompanhadas no quarto do médium João de Deus, réu por violação sexual e estupro de vulnerável, que está internado no local. O instituto diz que ele é atendido preferencialmente por enfermeiros e médicos homens, e que quando não há essa possibilidade por causa da escala de horários da equipe, as profissionais são sempre acompanhadas – geralmente por homens.
A mudança na rotina do atendimento teria ocorrido, segundo o instituto, após uma recomendação de advogados do paciente e da Secretaria de Segurança Pública (SSP) de Goiás. Ainda de acordo com o hospital, a orientação teria sido feita de forma informal por funcionários que acompanharam a transferência do médium, do Complexo Penitenciário de Aparecida de Goiânia para a clínica. O motivo seria “evitar constrangimentos” às profissionais.
Tanto a SSP quanto a defesa do médium, no entanto, contestam a informação. Em nota, a secretaria afirmou que “nega qualquer tipo de recomendação neste sentido, ressaltando que cabe à administração hospitalar e ao corpo médico do Hospital Neurológico (sic), e somente a eles, a definição de como João Teixeira de Faria (o João de Deus), na condição de paciente, deve ser atendido”.
A SSP também disse que mantém o líder espiritual “sob vigilância ininterrupta” de servidores penitenciários desde que ele foi internado na unidade hospitalar. A defesa de João de Deus disse que não fez nenhuma recomendação sobre o acompanhamento de profissionais de saúde e “ignora” qualquer outra recomendação sobre o assunto.
Crimes
João de Deus foi preso preventivamente após a promotoria de Abadiânia, em Goiás, receber mais de 330 denúncias de abuso sexual contra ele. As acusações vieram de ao menos 14 Estados de todas as regiões do País, além de relatos de vítimas em outros seis países, após um caso ser revelado pela TV Globo, no ano passado. Segundo os relatos, ele abusava sexualmente de mulheres que buscavam atendimento no Centro Dom Inácio Loyola. Segundo a promotoria, João de Deus oferecia “atendimentos particulares” após as sessões, momento em que os abusos seriam cometidos.
Após passar cerca de três meses preso, o médium foi transferido para o hospital na última sexta-feira, 22, após o ministro Nefi Cordeiro, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), determinar sua internação. João de Deus deve tratar um aneurisma na artéria aorta que, segundo laudos apresentados por sua defesa à Justiça, oferece risco iminente de morte. A previsão é que ele fique quatro semanas no instituto, o que pode mudar de acordo com o seu quadro clínico.
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