Marília

Marília é referência no diagnóstico precoce de câncer de olho

Médica onco-oftalmologista explica alterações mínimas que podem ser percebidas pelos pais e reveladas em exames (Foto: Carlos Rodrigues/Marília Notícia)

Marília está entre os três polos de saúde do interior de São Paulo com serviço multiprofissional estruturado para diagnosticar e tratar o retinoblastoma, que é o tumor maligno ocular mais comum na infância. Sua descoberta precoce é fundamental.

Desde sábado (29), a palavra retinoblastoma entrou no radar de milhares de pais no Brasil, após os jornalistas Tiago Leifert e Daiana Garbin revelarem a doença na filha, Lua, de apenas um ano.

Pioneira na cidade, a médica especialista em oncologia ocular Simone Almeida é chefe da respectiva disciplina na Faculdade de Medicina de Marília (Famema) e coordenadora do serviço especializado na Santa Casa, referência regional.

A profissional explica que a doença acomete uma a cada 25 mil crianças nascidas vivas e, infelizmente, a maioria dos casos recebe diagnóstico tardio. “É mais comum nos primeiros três anos de idade. Mas, até os dez anos, ainda pode ocorrer o retinoblastoma”, explica.

Quando descoberto nos estágios inicias, há um alto índice de cura, com preservação do globo ocular. Já o comprometimento da visão depende muito da localização do tumor, bem como de outros fatores durante o tratamento.

TESTE DO OLHINHO

O chamado teste do olhinho é um exame de triagem obrigatório nas maternidades do Brasil, que visa identificar o retinoblastoma, além de outras alterações oculares que prejudicam a visão como catarata, descolamento de retina e glaucoma congênitos.

Contudo, o teste na maternidade é realizado sem dilatar a pupila e lesões menores, ou na periferia da retina, podem passar desapercebidas.

É importante que a criança faça acompanhamento oftalmológico, ao menos, uma vez por ano (Foto: Carlos Rodrigues/Marília Notícia)

“Sem a dilatação, alguns sinais do retinoblastoma podem não ser vistos. Por isso é importante, além do teste no recém-nascido, a consulta oftalmológica após 30 dias, seguida do acompanhamento anual”, orienta Simone.

SINAIS

Os pais e demais familiares devem observar os olhos dos pequeninos. É importante frisar que o “teste do olhinho” é um exame de triagem e, sozinho, não é suficiente para fazer diagnóstico do retinoblastoma. Assim, sempre que houver alteração, a criança deve ser encaminhada ao oftalmologista para avaliação completa com mapeamento da retina.

A leucocoria, principal sinal do retinoblastoma, pode ser observada de duas formas: através da observação de um reflexo da pupila com efeito de flash, chamado de brilho do olho do gato, ou através da fotografia tirada com flash, na qual observamos as pupilas brancas ou amarelas, ao invés do reflexo vermelho [que é normal].

O estrabismo de forma repentina também pode indicar alteração intraocular, sinal de alerta para o retinoblastoma.

ESTRUTURA

Agora, quando as informações sobre a doença se popularizam – em função de um alerta que envolve celebridades –, a médica que sempre atuou para difundir conhecimento visando a prevenção, vê mais pessoas interessadas em entender o tumor ocular.

Mais de 20 anos de estudos sobre o tema, que culminou com estruturação de equipe (Foto: Carlos Rodrigues/Marília Notícia)

São mais de 20 anos de pesquisas e estudos relacionados ao tema, que fizeram da oftalmologista uma das referências na área.

Simone conta que, além de Marília, somente há serviços estruturados para diagnóstico e tratamento do retinoblastoma em Campinas, Ribeirão Preto e na Capital do Estado.

A atenção à criança envolve diagnóstico, tratamento e seguimento (até os dez anos de idade). Para todo este suporte, é necessária a atuação de uma equipe multidisciplinar, formada por onco-oftalmologista, oncopediatra e especialistas em exames por imagem.

REFERÊNCIA

Na Santa Casa de Marília, onde funciona o ambulatório especializado, a equipe realizada todas as etapas. O serviço já recebeu, inclusive, apoio do Instituto Ronald McDonald, por meio de doação da Campanha McDia Feliz, para estruturar consultório e oferecer atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Uma das grandes metas da médica é difundir conhecimento sobre o tema e fortalecer a cultura do diagnóstico precoce.

Objetivo final é que cada vez menos crianças cheguem ao serviço especializado com comprometimento ocular e risco à vida, em função do temido retinoblastoma.

A médica especialista Simone Almeida [@dra_simone_almeida] atende na clínica Sapiens Oftalmologia e Cirurgia Vascular, localizada à rua Sete de Setembro, 734. Informações e horários pelo telefone (14) 3413-5475 ou (14) 99678-6123 [clique aqui para iniciar uma conversa].

Médica atende na clínica Sapiens Oftalmologia e Cirurgia Vascular, localizada à rua Sete de Setembro, 734 (Foto: Carlos Rodrigues/Marília Notícia)

Carlos Rodrigues

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