Brasil e Mundo

Greve dos caminhoneiros deflagra guerra dos lobbies por benefício fiscal

A indústria de bebidas da Zona Franca de Manaus briga para retomar o benefício que lhe dava desconto no pagamento de impostos. A indústria química e os exportadores também estão fazendo barulho em Brasília para não perderem incentivos tributários. Empresas de outros 39 segmentos lutam contra o fim da desoneração da folha de pagamentos. Ninguém quer pagar a conta da “bolsa caminhoneiro” – o subsídio de R$ 0,46 dado pelo governo no preço do diesel para encerrar a greve de 11 dias que paralisou o País em maio.

O acordo do Planalto com os grevistas, oficializado há 20 dias, repassou a fatura do desconto no combustível para vários setores da indústria e deflagrou uma guerra de lobbies em Brasília por benefícios fiscais. Em outra frente, ruralistas começaram a fazer pressão, com uma enxurrada de ações na Justiça, pelo fim da tabela que instituiu preços mínimos para o frete rodoviário – outra concessão do Planalto aos caminhoneiros.

No centro dessa disputa está um governo fragilizado e sem capital político para fazer frente aos lobbies. “Diversos grupos vão tentar extrair benefícios e dificilmente vai sair uma resposta coordenada do Planalto”, diz o cientista político Rafael Cortez, da Tendências Consultoria.

Os setores que não conseguiram se livrar do pacote em prol dos caminhoneiros agora se movimentam no Congresso para que deputados e senadores derrubem as medidas. Essa pressão tem a ajuda de parlamentares que defendem seus interesses. A bancada do Amazonas, por exemplo, não quer perder o apoio da indústria de bebidas na Zona Franca de Manaus, em pleno ano eleitoral.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) arregimentou parlamentares de confiança para lutar contra o fim do programa de incentivo tributário aos exportadores (Reintegra), do programa da indústria química (Reiq), e da desoneração da folha de pagamento.

Todos esses programas foram criados em gestões petistas e são criticados por economistas liberais, por custarem caro e não surtirem os efeitos esperados. Alguns desses incentivos estavam na mira do governo há um tempo. A equipe econômica aproveitou para incluí-los no pacote de medidas que compensam o custo de R$ 13,5 bilhões com o subsídio do diesel – mas agora está sendo pressionada de todos os lados a voltar atrás. Para analistas políticos, a chance de a indústria conseguir reverter o pacote no Congresso é grande.

“O episódio dos caminhoneiros foi apenas o exemplo mais recente da longa trajetória de sucesso de grupos de interesse, que chantageiam o governo”, diz o economista Marcos Lisboa, presidente do Insper. “Deixamos a situação se degradar ao não enfrentar as corporações e as consequências serão danosas.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Agência Estado

Recent Posts

Troca de advogado de Vorcaro sinaliza possível delação premiada

José Luis Oliveira é um dos criminalistas mais conhecido do país (Foto: Divulgação/ Fabio Rodrigues…

7 minutos ago

MPF pede condenação de Ratinho e SBT por falas sobre Erika Hilton

Deputada que se apresenta como mulher trans foi eleita para presidir Comissão de Defesa dos…

20 minutos ago

Meio Ambiente promove mutirão para recolher móveis e galhos na região central

Mutirão recolhe materiais inservíveis na região central de Tupã neste sábado (Foto: Divulgação) A Secretaria…

29 minutos ago

Moraes manda prender kids pretos condenados pela trama golpista

Moraes é o ministro relator dos processos pelo golpe de Estado (Foto: Rosinei Coutinho/STF) O…

33 minutos ago

Bolsonaro é internado em UTI hospitalar com broncopneumonia bilateral

O ex-presidente Jair Bolsonaro está internado na unidade de terapia intensiva (UTI) do Hospital DF…

47 minutos ago

Secretaria de Educação entrega novos kits escolares para alunos da rede municipal

Mais de 4 mil alunos recebem kits de material escolar na rede municipal de ensino…

1 hora ago

This website uses cookies.