Marília segue sem previsão para reinstalar uma Unidade de Terapia de Queimados (UTQ), serviço considerado estratégico para o atendimento de vítimas de queimaduras graves na região. A cobrança voltou a ganhar força após o atendimento, na cidade, de 13 pessoas feridas e uma vítima fatal em uma explosão ocorrida na terça-feira (26), em Paulópolis, distrito de Pompeia.
Procurado pelo Marília Notícia para informar se há planejamento para a implantação ou retomada da UTQ no município, a Secretaria de Estado da Saúde (SES) esclareceu que pacientes que demandam cuidado especializado para queimaduras são regulados pela Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross), conforme avaliação clínica, gravidade do quadro, estabilidade do paciente e disponibilidade da rede.
“O Estado de São Paulo conta com serviços de referência para esse tipo de assistência, e os encaminhamentos seguem critérios técnicos, definidos pelas equipes médicas e pela regulação, com prioridade para a segurança do paciente e a continuidade do cuidado”, afirmou em nota.
O Departamento Regional de Saúde de Marília informou que, no mesmo dia do acidente em Paulópolis, todos os pacientes foram transferidos para unidades hospitalares de maior complexidade da região, como o Hospital das Clínicas (HC) de Marília, a Santa Casa de Marília, o Hospital Beneficente da Unimar (HBU) e a Santa Casa de Tupã.
“A SES ressalta que a habilitação, manutenção ou eventual descredenciamento de serviços municipais de saúde deve ser tratado diretamente com a gestão municipal, responsável pela organização da própria rede. O Estado segue atuando em parceria com os municípios, para que a assistência seja sempre assegurada da melhor forma ao paciente, além de organizar a regulação dos casos que demandam transferência, garantindo o encaminhamento dos pacientes de acordo com critérios técnicos e assistenciais”, finalizou a SES.
Em resposta a requerimento apresentado pelo vereador João do Bar (PSD), a secretária municipal da Saúde, Paloma Libânio, reconheceu a importância da retomada do serviço, mas afirmou que a implantação de estruturas de alta complexidade depende da articulação entre diferentes órgãos da rede pública de saúde.
“Esclarece-se que a implantação e estruturação de serviços especializados de alta complexidade não dependem da Secretaria Municipal da Saúde, demandando atuação integrada e articulação entre os responsáveis pela organização da rede pública de saúde, especialmente quanto ao planejamento assistencial, definição de fluxos de atendimento, habilitação do serviço e suporte técnico-operacional necessário para sua implementação”, informou a secretária.
Segundo Paloma, a pasta já encaminhou ofícios à Santa Casa de Misericórdia de Marília e ao Departamento Regional de Saúde IX (DRS-IX), solicitando manifestações técnicas sobre a viabilidade da retomada da unidade, além de informações sobre a estrutura assistencial, o planejamento regional e eventuais tratativas em andamento.
A secretária informou ainda que o DRS-IX também foi oficialmente instado a se manifestar diante da relevância regional do serviço e da necessidade de fortalecimento da rede especializada para o atendimento de pacientes vítimas de queimaduras.
Dificuldade de custeio
A UTQ funcionou durante décadas na Santa Casa de Marília, mas teve o atendimento suspenso em 10 de maio de 2023. Questionado novamente sobre a possibilidade de retomada do serviço, o hospital informou que a interrupção ocorreu em razão das dificuldades de custeio e manutenção da estrutura necessária.
Em nota, a Santa Casa afirmou que uma eventual retomada depende de avaliação técnica, operacional e financeira. O hospital destacou que o atendimento exige profissionais altamente especializados, com baixa disponibilidade no mercado, além de materiais e insumos de alto custo.
A instituição ressaltou ainda que os valores atualmente pagos pela tabela SUS Paulista não são suficientes para garantir a sustentabilidade do serviço.
“A Santa Casa de Marília permanece aberta ao diálogo e à busca de alternativas junto aos órgãos competentes, sempre priorizando a responsabilidade na gestão e a qualidade da assistência prestada à população”, informou o hospital.
Crise na neurocirurgia
A discussão sobre o financiamento estadual de serviços de alta complexidade na cidade ocorre em meio a outros episódios recentes envolvendo a rede hospitalar de Marília, responsável pelo atendimento de toda a região.
Na semana passada, uma reunião de emergência entre o prefeito Vinicius Camarinha (PSDB) e o secretário estadual da Saúde, Eleuses Paiva, em São Paulo, resultou em um acordo para a manutenção do setor de neurocirurgia da Santa Casa, que também enfrentava risco de interrupção por falta de repasses, segundo o hospital.
O serviço de neurocirurgia passou a funcionar na Santa Casa em setembro de 2024, após a interrupção do atendimento no Hospital das Clínicas de Marília, unidade administrada diretamente pelo Governo do Estado.
Atualmente, o setor ocupa justamente a área onde funcionava a antiga Unidade de Terapia de Queimados.
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