Política

Governo Bolsonaro faz revisão a portas fechadas

No ano em que completam-se 25 anos desde que os direitos humanos foram oficializados como política de Estado, o governo de Jair Bolsonaro prepara uma revisão do plano com uma abordagem oposta àquela que rendeu reconhecimento internacional à iniciativa original implementada em meados de 1996.

Em vez de uma construção coletiva, a análise é feita a portas fechadas, desde fevereiro, por um grupo instituído pelo Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, de Damares Alves. O término do trabalho está previsto para novembro.

Há duas semanas, o Conselho Nacional de Direitos Humanos, com seus representantes da sociedade civil, cobrou da ministra informações sobre o estágio das discussões internas. Não houve resposta.

“A portaria parte da premissa que o PNDH-3 precisa ser refeito, superado. Não concordamos. O plano é bom, com ampla participação popular, e não foi ainda cumprido. Precisamos discutir o que foi cumprido para depois discutir atualização”, afirma Yuri Costa, presidente do conselho.

Para Costa, a revisão é ainda mais esdrúxula porque entre os conselhos extintos pelo governo Bolsonaro ainda em 2019, um era voltado à análise da execução do último programa, de 2009. “O risco maior é perdermos a participação social para um posicionamento governamental. Quem entende as demandas da população de rua, das mulheres, da população indígena são eles mesmos”, alerta.

À frente da proposta de alterar o plano, a ministra Damares Alves enfrenta pressões das redes bolsonaristas. Ela apagou uma nota oficial em que lamentava o massacre de Jacarezinho.

Questionada pela reportagem do jornal Extra sobre o motivo de ter apagado a mensagem, disse que a pergunta era uma “palhaçada”.

Já o presidente Bolsonaro elogiou numa ‘live’ a operação policial mais letal da história do Rio de Janeiro que resultou na morte de 28 pessoas, dos quais 27 era moradores, no último dia 6 de maio. Dos mortos, três eram alvo de mandados.

O cientista político Paulo Sérgio Pinheiro, um dos responsáveis pela concepção do PNDH, alerta que tortura e pena de morte perdem espaço para a educação na percepção dos brasileiros como solução para a segurança, segundo pesquisas.

Em nota, o ministério de Damares informou que o grupo de trabalho oferecerá “recomendações para o aprimoramento” da política de direitos humanos. Diz, ainda, que especialistas e grupos representativos serão chamados para colaborar “em dado estágio de desenvolvimento da análise, do surgimento das necessidades e das carências observadas”.

A pasta também destacou que, “apesar da pandemia e todas as dificuldades geradas desde seu início”, o governo Bolsonaro não deixou de “investir nas demandas de direitos humanos, sem deixar de atentar aos grupos mais vulneráveis”. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Agência Estado

Recent Posts

Tentativa de separação termina com jovem internada após agressão brutal

Uma jovem de 24 anos foi internada no Hospital das Clínicas (HC) de Marília após…

36 minutos ago

Dupla é flagrada arrastando homem ferido no centro; vítima fica internada no HC

Um homem foi socorrido em estado grave na madrugada desta segunda-feira (22), após ser encontrado…

58 minutos ago

França e Argentina podem garantir vaga hoje; confira os jogos da Copa

Atual campeã, Argentina, joga às 14h em Dallas contra a Áustria (Foto: Divulgação) A segunda…

2 horas ago

Brasil bate recorde de abates e Marília mantém 5º maior rebanho de SP

Rebanho bovino de Marília, com 109 mil cabeças de gado, é o 5º maior de…

2 horas ago

Incêndio atinge depósito de ovos no centro de Marília e causa prejuízos

Fogo deixou o local totalmente destruído; causas acidentais são apuradas (Foto: Marília Notícia) Um incêndio…

2 horas ago

PAT de Marília abre mais de 460 vagas com salários de até R$ 5,3 mil

Candidatos às vagas oferecidas podem manifestar interesse pelo aplicativo da Carteira de Trabalho Digital (Foto:…

2 horas ago

This website uses cookies.