Polícia

Golpista cita MST, promete empréstimo de R$ 5,7 milhões e deixa idosos no prejuízo

Um casal de idosos, moradores do Parque Nova Almeida, zona norte de Marília, foi vítima de um golpe de estelionato aplicado por um desconhecido. O caso foi registrado nesta segunda-feira (6) e chama a atenção pela forma como o suspeito se aproveitou da vulnerabilidade e do analfabetismo das vítimas.

O aposentado, de 79 anos, e a esposa, 85, relataram à Polícia Civil que um homem, identificado apenas como “Marcos”, foi até a residência deles com uma proposta: torná-los “patrões de agronegócio” e milionários.

Segundo o relato, o casal seria levado ao Centro da cidade para contratar um empréstimo de aproximadamente R$ 5,7 milhões. O acusado alegava que o valor seria investido em lavouras e afirmou que eles teriam direito ao crédito por suposta ligação com o Movimento de Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

O esquema

Para dar credibilidade à história, Marcos disse que seria necessário realizar compras em lojas como forma de comprovar ao banco a necessidade do crédito rural e a capacidade de pagamento.

Confiantes, os idosos acompanharam o suspeito a diversos estabelecimentos, onde foram feitas compras em nome do casal. Entre os itens adquiridos estão um televisor avaliado em R$ 2,7 mil, dois celulares e outros produtos.

O homem afirmou que as mercadorias só seriam entregues após três meses, quando o suposto empréstimo fosse liberado. As compras teriam ocorrido em outubro, mas nem o dinheiro nem os produtos chegaram às vítimas.

Só dívidas

Semanas depois, o casal passou a receber cobranças das lojas por dívidas que afirmam não ter contraído para benefício próprio. Segundo a denúncia, o suspeito levou ao menos a televisão para sua residência, na Vila Barros, utilizando veículo próprio, o que reforça a suspeita de golpe.

As vítimas informaram à polícia que não possuem notas fiscais ou documentos das compras, o que dificulta calcular o prejuízo total. O idoso afirmou que ele e a esposa enfrentam dificuldades financeiras e estão sendo cobrados por dívidas que não reconhecem.

A Polícia Civil investiga o caso e considera agravante o fato de o suspeito ter se aproveitado da condição de vulnerabilidade e do analfabetismo do casal. Até o momento, o autor não foi identificado.

Para avançar nas apurações, os investigadores buscam informações sobre a data exata e o roteiro das compras. A reportagem do Marília Notícia procurou a coordenação estadual do MST para saber se a entidade tem conhecimento sobre o uso indevido da sigla, mas não houve retorno até a publicação. Caso haja manifestação, o texto será atualizado.

Carlos Rodrigues

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