Apoiadora de Jair Bolsonaro (PSL), a coronel da Polícia Militar Eliane Nikoluk (PR), candidata a vice na chapa de Márcio França (PSB) ao governo de São Paulo, ganhou espaço na campanha no segundo turno no momento em que o pessebista disputa com João Doria os eleitores do capitão reformado, que venceu em São Paulo no 1° turno.
Ao jornal O Estado de S. Paulo, ela disse que, antes de aceitar o convite de França, ouviu dele a promessa que uma aliança com o PT estaria descartada. “Eu não conhecia o Márcio França e só tinha contato protocolar. Quando vi que ele era do PSB, isso me causou um certo desconforto, porque é um partido de centro-esquerda. Sempre me considerei mais liberal e com tendência à direita”, afirmou.
O governador então afirmou que “não haveria hipótese” de uma aliança com os petistas. “Ele disse que me convidou por ser meio de direita”, afirmou a coronel, que foi comandante e oficial do Estado Maior do Comando de Policiamento do Interior e é policial militar há 30 anos.
Em uma estratégia para evitar que França “surfe na onda” conservadora paulista, Doria tem usado os comerciais de rádio e TV para classificar o oponente como aliado do PT e “esquerdista”
“Doria vem de um partido de origem de esquerda e vem jogar no outro uma pecha de esquerda. Até um mês atrás ele atacava o Bolsonaro. Chamava ele de radical. Há uma incoerência”, disse a coronel, que se define como uma pessoa “muito patriota”.
Segundo Eliane, Doria sofre resistência na Polícia Militar porque os governos do PSDB não investiram em viaturas, equipamentos e contingenciaram recursos.
A candidata a vice na chapa de Márcio França criticou ainda a estratégia do tucano de usar na TV um vídeo no qual Jair Bolsonaro agradece o apoio de Doria e critica Márcio França.
“Bolsonaro também disse que PT e PSDB são farinha do mesmo saco. Não sei o que ele pensa. Nunca vi Márcio França falando mal do Bolsonaro. Eu pesquisei. Ele no PSB é visto como uma pessoa de direita.”
A coronel também afirmou que, apesar das críticas que faz ao PT, não defende a exclusão automática de petistas em um eventual segundo mandato de França no Estado.
Tiro
Eliane ainda criticou a declaração em que Doria afirma que, a partir de 1º de janeiro, a polícia vai atirar para matar se bandidos reagirem.
Segundo a coronel, essa declaração não foi “técnica nem ética” e vai “totalmente contra” a doutrina da Polícia Militar. Ela também minimizou as declarações polêmicas de Bolsonaro sobre mulheres. “Não me senti ofendida.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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